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    Custos da construção tendem a recuar em 2023, mas economia é ponto de atenção, dizem especialistas

    Além do efeito transmitido pelo dólar nos custos do setor, os juros também são um importante ponto de atenção

    Natalia Flach

    Ligia Tuondo CNN Brasil Business

    Após atingir um pico em 2021, os custos do setor de construção desaceleraram neste ano, e a tendência é que continuem perdendo ritmo, segundo economistas ouvidos pela CNN. No entanto, a definição da política econômica do governo eleito ainda segue como importante ponto de atenção, já que pode alterar a trajetória dos preços no setor, alertam os especialistas.

    “Domesticamente, temos que acompanhar como o governo vai lidar com os desafios que tem, sobretudo na questão fiscal, porque isso repercute no dólar e, por fim, na própria evolução na conjuntura macro”, ressalta a coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, Ana Maria Castelo.

    Além do efeito transmitido pelo dólar nos custos do setor, os juros também são um importante ponto de atenção.

    “É esperado que a Selic, no atual patamar de 13,75% ano, comece a baixar, mas a queda deve depender de algumas variáveis, em especial, de como o governo vai aplicar sua política fiscal”, diz Luccas Saqueto Espinoza Economista Go Associados.

    “Se o governo não transmitir a credibilidade que os agentes econômicos demandam, é possível que a Selic fique nesse patamar mais alto por mais tempo e isso encarece os custos no setor”.

    Taxas de juros mais baixas são um importante aliado do setor, já que facilitam operações como a compra da casa própria, decisões de lançamentos das construtoras, etc. Esse indicador, por sua vez, está intimamente ligado com o controle da economia e a expectativa dos entes econômicos.

    “A taxa de juros depende da política fiscal, que ainda é incerta, não conhecemos nosso ministro do Planejamento, nem o ministro das Cidades, pasta que deve ser recriada e importante pata o setor de construção civil”, diz Saqueto.

    A especialista do Ibre destaca ainda incertezas na conjuntura global, o que impacta, sobretudo, o custo de materiais. “Por um lado, há desaceleração nas economias desenvolvidas, o que tende a aliviar os preços de commodities. Por outro, a geopolítica ainda está carregada de incertezas”, dz.

    Alta da matéria-prima perde protagonismo para custo da mão de obra

    O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) fechou 2022 com alta de 9,40%, segundo dados publicados pela FGV nesta terça-feira. O número é significativamente menor que os 13,84% alcançados no ano passado.

    Dentro do índice, o maior peso veio do custo da mão de obra, que alcançou 11,76% no ano, contra 7,23% de materiais, equipamentos e serviços. No ano passado, esse cenário era invertido, com 6,95% desse primeiro e 21,45% no segundo.

    “Vimos uma inversão neste ano. Enquanto os materiais foram desacelerando, a mão de obra foi ficando mais cara, muito por conta dos acordos coletivos, que regem os aumentos dos salários, da construção”, diz Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre.

    A expectativa, porém, é que os custos de mão de obra passem a subir menos, a despeito dos planos do governo eleito de retomar a política de reajustes reais (acima da inflação) para o salário mínimo.

    “A perspectiva para a inflação ao longo de 2022 já teve desaceleração em 12 meses e, nos primeiros meses de 2023, deve ficar pela faixa dos 5%. Então, o aumento salarial deve ser inferior ao visto neste ano”, diz Castelo.

    Na expectativa da especialista, tanto o grupo de materiais e serviços como o de mão de obra devem variar perto da inflação esperada, ao redor de 5%.

    “Depois de dois anos de altas muito importantes, a categoria materiais e serviços perdeu força, o que tem a ver com os custos principalmente de preços industriais, que subiram muito por conta de descasamento de cadeias produtivas globais. Isso tem passado por um rearranjo no segundo semestre de 2022 e acreditamos que continua em 2023”, diz Fábio Romão, economista da LCA Consultores.

    A expectativa da LCA é que, depois da alta de 9,1% do INCC em 2022, o índice fique em 6,9% em 2023, com uma alta de 5,4% para materiais e serviços e 8,3% para mão de obra.

    Pode ficar mais fácil comprar imóvel na planta

    Vale ressaltar que a desaceleração do INCC pode aliviar os preços dos imóveis na planta, já que são usados para balizar os contratos.

    “Com um IPCA de 5,2%, o INCC deve começar a andar um pouco mais perto do índice ao consumidor. Para quem vai começar o contrato a partir de 2023, vai ficar mais fácil”, diz Romão, da LCA.