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    Custos de energia pressionam inflação e preocupam bancos centrais emergentes

    Os preços ao consumidor, no geral, cresceram mais em países onde a recuperação econômica foi mais rápida entre o terceiro trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2021

    Linhas de transmissão de energia
    Linhas de transmissão de energia Getty Images

    Por Tom Arnold, da Reuters

    Os preços mais altos de energia estão alimentando a inflação em vários mercados emergentes, testando a determinação de seus bancos centrais e colocando em risco o crescimento na Hungria, Polônia e República Tcheca e sinalizando mais fraqueza na moeda da Turquia, dizem analistas.

    Em uma resposta ousada às pressões sobre os preços, o banco central tcheco elevou na quinta-feira sua taxa básica de juros em 75 pontos-base, maior alta desde 1997. A autoridade monetária citou o aumento nos preços de energia, bem como interrupções na cadeia de abastecimento e fatores domésticos como os custos mais elevados de habitação e serviços.

    O primeiro-ministro do país disse que o aumento prejudicaria a economia, ilustrando o dilema que os bancos centrais emergentes enfrentam ao tentar conter a inflação, que já está acima da meta, enquanto sustentam frágeis recuperações econômicas diante da pandemia de Covid-19.

    Os preços de referência europeus do gás aumentaram mais de 300% este ano, devido a fatores que incluem baixos níveis de armazenamento, escassez e alta demanda à medida que as economias se recuperam, puxando para cima os custos de eletricidade no atacado.

    A República Tcheca, a Polônia, a Hungria e a Romênia foram mais expostas ao aumento do que o resto da União Europeia porque a energia e os serviços públicos são responsáveis por uma parcela relativamente grande de suas cestas de índices de preços ao consumidor, enquanto seus suprimentos de eletricidade estão mais expostos a fontes intensivas em carbono, disseram analistas do Goldman Sachs.

    Os preços ao consumidor, no geral, cresceram mais em países onde a recuperação econômica foi mais rápida entre o terceiro trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2021, disse a economista-chefe da S&P Global Ratings, Tatiana Lysenko, destacando Polônia, Hungria, Rússia e Brasil.

    “Os bancos centrais de Europa, Oriente Médio e África continuarão a navegar em um cenário complicado, buscando um equilíbrio entre apoiar a recuperação e ancorar as expectativas de inflação em um ambiente onde as pressões do lado da oferta podem durar mais do que o previsto anteriormente.”

    Enquanto isso, na Turquia, o desejo do presidente Tayyip Erdogan por estímulo muitas vezes tem superado abordagens mais ortodoxas de política monetária.

    Apesar de a inflação estar acima da meta, em 19,25%, o banco central turco cortou no mês passado sua taxa básica de juros em 100 pontos base, para 18%.

    A lira caiu para mínimas recordes recentemente, reavivando memórias de uma crise cambial de 2018 e corroendo a renda dos turcos.