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    Demanda da China por petróleo pode encolher pela primeira vez em 20 anos

    Política Covid-zero de Pequim deve manter as pessoas em casa durante os próximos feriados, reduzindo o consumo de combustível

    Lockdowns em cidades importantes, como o centro financeiro de Xangai, já prejudicaram a demanda de petróleo da China no segundo trimestre
    Lockdowns em cidades importantes, como o centro financeiro de Xangai, já prejudicaram a demanda de petróleo da China no segundo trimestre FOTO DE ARQUIVO: Atendente usando máscara reabastece carro em um posto de gasolina Sinopec, em Pequimm China. 28 de fevereiro de 2020. REUTERS/Thomas Peter/File Photo

    Por Muyu Xu, da Reuters

    A demanda por petróleo na China, o maior consumidor de energia do mundo, pode se contrair pela primeira vez em duas décadas este ano, já que a política contra a Covid-19 de Pequim mantém as pessoas em casa durante os próximos feriados e reduz o consumo de combustível.

    Centenas de milhões de chineses que normalmente pegam as estradas e voos domésticos durante o Festival do Meio do Outono — que cai em 10 de setembro deste ano — e os feriados da Golden Week do início de outubro devem ficar em casa para evitar serem presos por lockdowns repentinos para conter a propagação da Covid-19.

    Os lockdowns em cidades importantes, como o centro financeiro de Xangai, já prejudicaram a demanda de petróleo da China no segundo trimestre, enquanto a recuperação para o resto do ano deve ser lenta, à medida que a China mantém sua política de zero Covid.

    A demanda da China por gasolina, diesel e combustível de aviação pode cair em 380 mil barris por dia (bpd) para 8,09 milhões de bpd em 2022, o que seria a primeira contração desde 2002, disse Sun Jianan, analista da Energy Aspects, chamando-a de um “momento divisor de águas”.

    Em comparação, a demanda aumentou 450 mil bpd, ou 5,6%, em 2021.

    Até agora este ano, a China viu suas importações de petróleo bruto de janeiro a agosto caírem 4,7%, a primeira contração para o período de oito meses desde pelo menos 2004.

    “Acreditamos que as importações só aumentarão substancialmente no início do primeiro trimestre de 2023, quando a China começar a fornecer petróleo para o Ano Novo Lunar, em vez de nossa expectativa anterior do quarto trimestre de 2022”, disse Sun.

    Enquanto as refinarias estatais estão aumentando a produção, as refinarias independentes — que respondem por um quinto das importações de petróleo da China — estão mantendo as operações baixas em meio a uma investigação fiscal, acrescentou.

    Encurralado

    No quarto trimestre, espera-se que a demanda por gasolina, diesel e combustível de aviação aumente cerca de 530 mil bpd em relação ao terceiro trimestre para 8,55 milhões de bpd, disse Sun, da Energy Aspect, acrescentando que a demanda pode cair ainda mais se os casos de Covid-19 aumentarem.

    Para combustível de aviação, a demanda de cerca de 500 mil bpd é menos da metade dos 1,1 milhão a 1,2 milhão de bpd nos dias pré-pandemia, disse Mukesh Sadhav, chefe de downstream e comércio de petróleo da consultoria Rystad Energy.

    “A retomada do tráfego rodoviário e do diesel dependerá mais do crescimento macroeconômico”, disse.

    Ainda assim, disse Sadhav, o uso de combustível da China pode subir 100 mil bpd este ano para 8,2 milhões de bpd, com expectativa de recuperação da demanda após o Congresso do Partido Comunista em meados de outubro.

    “A demanda geral de petróleo deve aumentar em 500 mil bpd em novembro em relação ao ano anterior e 1 milhão de bpd no período de dezembro a fevereiro, com as políticas da China se tornando mais claras”, disse ele.