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    Dólar pode passar de R$ 6 com volta de Lula ao jogo político, aponta consultoria

    “O próximo mandato promete ser dirigido por alguém não muito afeito às reformas necessárias, seja Lula, seja Bolsonaro", diz relatório da MB Associados

    Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
    Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Foto: Amanda Perobelli/Reuters

    Juliana Elias,

    do CNN Brasil Business, em São Paulo

    A retomada dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a possibilidade de que ele volte a ser candidato na eleição presidencial de 2022 afasta as expectativas de uma frente de centro para o próximo governo e deixa a disputa polarizada entre dois nomes cada vez mais distantes do comprometimento com reformas estruturais e com a responsabilidade fiscal: Lula e o atual presidente, Jair Bolsonaro. 

    É essa a leitura feita pela consultoria MB Associados e a sua explicação para o desespero que a mudança no jogo levou ao mercado financeiro. A reconfiguração das peças do tabuleiro, de acordo com a análise, traz uma bomba de incertezas e inseguranças aos investidores, e isso cria uma cascata que piora o câmbio, a inflação, os juros e a recuperação econômica. 

    O entendimento é que o dólar, que já vinha sendo puxado para cima por crises políticas internas e por uma expectativa de reconfiguração na economia dos Estados Unidos, deve subir ainda mais.

    A projeção da consultoria é de que a moeda possa passar dos R$ 6 pela primeira vez na história nas próximas semanas. Para o final do ano, a expectativa, que era do dólar a R$ 5,40, subiu para R$ 5,60.

    Nesta terça (9), o dólar voltou a subir e fechou valendo R$ 5,79

    “A pergunta que o mercado cada vez mais fará é que país sairá da eleição em 2022”, afirmou a MB Associados em relatório aos clientes, assinado por seu economista-chefe, Sérgio Vale. 

    “O próximo mandato promete ser dirigido por alguém não muito afeito às reformas necessárias, seja Lula, seja Bolsonaro. (…)  Até lá, o mercado não vai pagar para ver o que isso significa. A consequência já aparece nos números e, por isso, já começamos a revisar alguns.”

    Além da mudança de expectativa para o câmbio, a MB associados também elevou a projeção de inflação e de juros para 2021. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pela nova estimativa, deve chegar a 4,3% neste ano, ante os 4% da projeção anterior. 

    Já a Selic, a taxa básica de juros do país, pode ir a 5,5%, em vez dos 4% esperados anteriormente. Como juros mais altos inibem o crescimento econômico, o PIB também deve ficar pior: a MB cortou a projeção para o ano, de alta de 2,4% para alta de 2%. 

    “Tudo isso vale mesmo que apareça algum candidato que possa fazer frente a Lula e Bolsonaro”, diz o relatório. “Apenas o risco de dois candidatos fortes como esses e com suas posições em economia cada vez mais claras, o mercado não vai esperar para ver se o jogo político se equilibra.”