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    Em cúpula dos Brics, empresários brasileiros articulam acordos bilaterais e encontram Dilma por recursos do NBD

    Entre as prioridades do grupo estão um acordo multilateral de serviços aéreos e um fundo para financiar projetos de energia limpa

    Foto: CNI

    Danilo Moliternoda CNN

    São Paulo

    Empresários brasileiros viajaram à África do Sul para participar da cúpula dos Brics, que ocorre entre esta terça (22) e quarta-feira (24), em busca de oportunidades entre os países que integram o grupo.

    O setor privado articula acordos bilaterais e teve encontro com a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), Dilma Rousseff.

    A comitiva participa de compromissos do Conselho Empresarial dos Brics (Cebrics) — formado por 25 empresas, cinco de cada país — , que apresenta recomendações aos chefes de Estado para melhoria do ambiente de negócios e cooperação empresarial.

    A seção brasileira é composta por Vale, WEG, Banco do Brasil, BRF e Embraer. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) exerce a secretaria-executiva no Brasil.

    A comitiva é composta por cerca de 30 empresários.

    Entre as prioridades do grupo, a serem discutidos para a cúpula deste ano, estão um acordo multilateral de serviços aéreos, o desenvolvimento de fertilizantes ecoeficientes e um fundo no NDB para financiar projetos de energia limpa. (confira todos abaixo)

    Também está listado o desenvolvimento de rotas comerciais com investimentos em portos de pequeno porte, ferrovias e transporte marítimo de curta distância, com o intuito de diminuir a pegada de carbono.

    O presidente eleito da CNI, Ricardo Alban, se reuniu nesta segunda-feira (21) com Dilma Rousseff. Eles conversaram sobre linhas prioritárias de financiamento de projetos com impacto na indústria nacional.

    banco dos brics nbd ndb
    Dilma Rousseff comanda o NDB desde o primeiro semestre deste ano / Ricardo Stuckert/PR (13.04.2023)

    Durante o encontro, os três eixos de destaque para atuação conjunta da CNI com o NDB foram infraestrutura — com foco principalmente nas obras do Novo PAC — energias limpas e projetos de desenvolvimento social.

    “O Brasil carece de linhas de financiamento competitivas. Temos um custo alto para adquirir estes recursos no país, o que não acontece no caso da China. Defendemos propostas aderentes às áreas de atuação do Banco dos Brics, como descarbonização e eficiência energética”, afirmou Alban.

    Dilma explicou ao presidente da CNI que os novos projetos, a serem propostos, precisam ser bem estruturados do ponto de vista técnico para “disputar” os recursos do banco.

    O NBD mobiliza recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países membros do Brics. Ao todo, já foram aprovados 94 iniciativas em operações de crédito nos cinco países do grupo, com um total de US$ 32 bilhões.

    O Cebrics

    Criado em 2013 para fortalecer os laços econômicos e comerciais e ampliar os investimentos entre as comunidades empresariais do Brics, o Cebrics conta com nove grupos de trabalho, que funcionam como instâncias consultivas, formulando propostas temáticas.

    Quando as sugestões são aprovadas pelo conselho, integram as recomendações aos chefes de Estado. Há 91 representantes brasileiros inscritos nos grupos de trabalho e um líder do país para cada grupo.

    As equipes se reúnem virtualmente desde fevereiro deste ano para alinhar recomendações. As propostas devem ser apresentadas à cúpula do Brics nesta quarta-feira (23).

    Confira os 10 temas prioritários do Cebrics:

    • Estabelecimento de acordo multilateral de serviços aéreos, considerando que os acordos bilaterais que já existem são restritivos para o transporte aéreo;
    • Colaboração para o desenvolvimento de fertilizantes inteligentes, biofertilizantes e fertilizantes minerais, e de padrões para certificação de fertilizantes ecoeficientes;
    • Desenvolvimento de padrões para 50 qualificações futuras, permitindo unificar critérios para competições internacionais e programas de treinamento entre os países;
    • Criação de um fundo para financiar projetos de energia limpa no Novo Banco de Desenvolvimento (NBD);
    • Cooperação para o desenvolvimento de infraestrutura digital que aumente a conectividade, inclusive em áreas remotas dos países dos Brics;
    • Desenvolvimento de programas de competências digitais para meninas e mulheres;
    • Elaboração de carteira de projetos prioritários de infraestrutura nos países dos Brics para aumentar a visibilidade de financiamento;
    • Desenvolvimento de rotas comerciais com investimentos em portos de pequeno porte, ferrovias e transporte marítimo de curta distância, para diminuir a pegada de carbono;
    • Criação de plataforma de colaboração entre governo, setor privado e academia para buscar soluções para novos problemas de infraestrutura;
    • Harmonização de padrões de regulação para produtos manufaturados, para facilitar a incorporação nas cadeias de valor.