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    Em evento, presidentes de associações defendem reformas para atrair investimentos

    Presidentes de associações setoriais destacaram o potencial de crescimento da economia brasileira durante o evento “O Equilíbrio entre os Poderes”, promovido pelo grupo empresarial Esfera Brasil

    Painel "Os motores do Brasil e a segurança institucional" no seminário Esfera Brasil
    Painel "Os motores do Brasil e a segurança institucional" no seminário Esfera Brasil Reprodução/Esfera Brasil (19.ago.2022)

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    Presidentes de associações setoriais brasileiras destacaram o potencial de crescimento da economia brasileira nesta sexta-feira (19) durante o evento “O Equilíbrio entre os Poderes”, promovido pelo grupo empresarial Esfera Brasil.

    Para isso, entretanto, eles defenderam a necessidade do país realizar algumas reformas, e garantir uma estabilidade institucional e segurança jurídica que permitam atrair investimentos, com um contexto internacional favorável.

    Luis Henrique Guimarães, presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), afirma que há neste momento uma conjuntura internacional complexa, mas que representa uma “oportunidade enorme para o Brasil”, que o país “não pode perder”.

    “É preciso agir, não vamos ser perdoados nas próximas gerações se perdermos isso agora. O momento geopolítico do mundo, com realocação global das cadeias de suprimento, envolve países dando prioridade à segurança do abastecimento, energética, ao invés de só redução de custo”, explica.

    Nesse sentido, ele acredita que o Brasil, enquanto um país “amigável” e “democrático” tem uma “enorme capacidade” para atrair investimentos e crescer mais.

    “O Brasil tem empreendedores de enorme qualidade, e o motor do crescimento é a iniciativa privada e o mercado de capitais. O empreendedorismo brasileiro funciona, não interessa tamanho da inflação, crise”, destacou.

    Para que isso se concretize, ele citou a necessidade de maior estabilidade institucional, fiscal e de preços, juros menores e mais competitivos e políticas públicas com mais previsibilidade, além da realização de reformas administrativa e tributária.

    “Se fizer um pouco do dever de casa com diálogo, esse país vai crescer, dividir renda, diminuir desigualdade e prosperar, porque temos todos os componentes que o mundo precisa”, disse Guimarães.

    A realização de reformas também foi citada como uma necessidade pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.

    Ele destacou que, com a pandemia e a guerra na Ucrânia, os países têm buscado incentivar e desenvolver suas indústrias nacionais, com uma reorganização de cadeias de suprimento que deve “impactar enormemente países como o Brasil”.

    “Temos que tentar atrair investimentos, principalmente industriais, e esses investimentos industriais é que vão permitir que o país avance na questão de competitividade e possibilidade de participar mais de um mercado internacional”, afirmou Andrade.

    Ele defendeu que o ganho de competitividade passa também pela aprovação de reformas, e que “estamos quase próximos dessas aprovações”, citando uma necessidade de diálogo mais intenso com o Congresso para que elas ocorram.

    O presidente da CNI disse ainda que é preciso ter um diálogo maior entre os três Poderes da União, reduzindo a insegurança jurídica, que hoje é “um dos maiores entraves aos investimentos em todos os setores do Brasil”.

    “Precisamos que essa harmonia e esse equilíbrio entre os três Poderes leve o Brasil a ter uma segurança jurídica maior, porque nenhum investidor coloca seus recursos financeiros onde tem insegurança com seus resultados futuros”, explicou Andrade.

    Ele disse ainda acreditar que “todas as nossas instituições estão muito à procura de fazer o país crescer, desenvolver, gerar renda, emprego e melhorar a qualidade de vida das pessoas”.

    Já Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), ressaltou que o clima eleitoral gera disputas políticas naturais, mas que quando elas escalam há “ruídos e instabilidade institucional”.

    “Nesses momentos, o equilíbrio é essencial, e também entre Poderes. A responsabilidade dos atores políticos é enorme, mas estou certo de que estão à altura do desafio que os cargos lhes conferem”, afirmou.

    Sidney disse que o capital brasileiro demanda hoje democracia, robustez institucional, estabilidade jurídica e política e previsibilidade para “ajudar o Brasil a manter os motores funcionando”.

    “Estamos no nono pleito presidencial em mais de três décadas, é um longo período democrático, ainda que possamos achar que é pouco tempo, e isso tem dado maturidade institucional”, destacou.

    O presidente da Febraban ressaltou que, na última década, o crescimento anual da economia brasileira teve média de 0,5%, com “taxas que não são elevadas, e que não se sustentam no tempo”.

    “Temos claramente a condição e potencial para avançar, mas é um crescimento insuficiente para as nossas necessidades, e crescer é uma necessidade social, gera emprego, riqueza, bem-estar social, mitiga pobreza, leva a um ciclo virtuoso”, afirmou Sidney.

    Ele disse ainda que a “maior política social” que o governo pode fazer é a “retomada efetiva do crescimento econômico, geração de emprego e transferência de renda”, e que “se não voltarmos a crescer em níveis elevados, prolongados, não haverá política social que se sustente”.

    Também no evento, a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, observou que o Brasil enfrenta um desafio de equilíbrio social, econômico e político.

    “O poder Judiciário, enquanto poder contra majoritário, tem sempre o desafio de estar equilibrando Estado e iniciativa privada”, afirmou.

    Para Gil, é preciso que o Judiciário busque aumentar sua efetividade, reduzindo tempo de processos e trazendo mais segurança jurídica.

    “Ainda temos índices importantes para alcançar em termos de efetividade, eficiência, mas acreditamos que temos os melhores juízes, verdadeiramente preparados para lidar com as batalhas jurídicas”, disse a presidente da AMB.