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    Endividamento das famílias cai pela primeira vez durante a pandemia

    Pesquisa revela que cartão de crédito foi o principal vilão. E brasileiros ainda enfrentam dificuldades

    A inadimplência das famílias brasileiras caiu pela primeira vez, durante a pandemia. Mas a taxa ainda está acima da registrada, no mesmo período do ano passado.

    Neste mês de setembro, a quantidade de endividados caiu para a menor taxa deste maio. As dívidas, atualmente, comprometem 67,2% das famílias – uma redução de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior, quando foi registrado o maior nível de endividados em 2020 (67,5%).

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    Cartão de crédito
    Cliente realiza compra online com cartão de crédito, que é o vilão do endividamento das famílias em setembro
    Foto: Unsplash

    Apesar do recuo, o Brasil tem mais famílias endividadas do que em 2019. No mesmo período do ano passado, a taxa era 2,1 ponto percentual menor (65,1%).

    Os dados são da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic Nacional). As informações foram coletadas em todas as capitais dos estados e no Distrito Federal, com aproximadamente 18 mil consumidores.

    Contas em atraso

    Em meio à crise, muitas pessoas tentam pagar as contas em dia. Mas nem sempre isso é possível. O número de famílias endividadas que declaram não ter condições de pagar suas contas atrasadas ainda é alto.

    Apesar da queda de 0,1% na passagem de agosto para setembro, o País tem hoje 2,4 pontos percentuais a mais de famílias nesta condição do que na mesma época do ano passado. Passando de 9,6% em setembro de 2019, para 12% em setembro deste ano.

    Perfil dos endividados

    Famílias que ganham mais se endividaram menos. Segundo a pesquisa, 60,5% daquelas com rendas acima de 10 salários mínimos estavam endividadas em setembro de 2019. Em abril deste ano, eram 57,8%. E, agora, são 59% neste mês de setembro.

    Por outro lado, as dívidas estão presentes para 69% das famílias com renda de até 10 salários mínimos. 2,8 pontos percentuais a mais, em relação ao registrado em setembro do ano passado. No entanto, a taxa é 0,5% menor do que a registrada no mês anterior.

    Principais dívidas

    Entre as famílias endividadas, 21,4% afirmaram ter mais da metade da renda mensal comprometida para pagar as contas em setembro e o cartão de crédito tem sido o principal vilão.

    De acordo com o levantamento, neste mês de setembro, 79% das dívidas possuem o cartão de crédito como principal custo. Lembrando que esta forma de pagamento é, atualmente, uma modalidade muito utilizada no consumo, e nos últimos três meses, foi associado à recuperação das vendas de bens e de serviços.

    Na sequência do ranking estão os carnês para 16,7% dos consumidores; e financiamento de veículos.

    Expectativa

    Segundo a pesquisa, os recentes indicadores têm mostrado que a recuperação gradual da economia para os próximos dois trimestres está mais robusta do que as estimativas indicavam. No entanto, ainda permanecem incertezas sobre a sustentabilidade da retomada no médio prazo, especialmente associadas à capacidade de recuperação do mercado de trabalho e ao cumprimento das metas fiscais.

    E sugere que, para apoiar a retomada da economia, é importante seguir ampliando o acesso ao crédito com custos mais baixos, mas principalmente possibilitar o alongamento de prazos de pagamento das dívidas para mitigar o risco da inadimplência no sistema financeiro.

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