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    Essenciais na guerra da Ucrânia, profissionais de TI ganham destaque no Brasil

    Em 2021, setor observou um crescimento quatro vezes maior de vagas para profissionais de tecnologia da informação no Brasil em relação ao ano anterior

    Divulgação

    Lucas Janoneda CNN

    no Rio de Janeiro

    O número de vagas de emprego na área de tecnologia criadas no Brasil em 2021 foi quatro vezes maior do que as que surgiram em 2020. Foram abertos 122 mil novos postos de trabalho na área durante o ano passado, ante 31,4 mil empregos formais em 2020.

    Os dados fazem parte de um levantamento feito pela CNN com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), ligado ao Ministério da Economia.

    No topo do ranking das contratações no Brasil aparece o Estado de São Paulo, responsável por 54,4 mil empregos de TI — cerca de 40% de todos os postos no país. Em seguida estão Minas Gerais (12,3 mil) e Santa Catarina (10,3 mil).

    Em conversa com a CNN, o vice-presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), Moacir Marafon, explicou a relação da pandemia de Covid-19 com o crescimento no número de oportunidades para os profissionais de TI.

    “A pandemia acelerou ainda mais a transformação digital em todos os setores da economia, além de proporcionar a adoção massiva do home office e a explosão de serviços online, demandando cada vez mais soluções de tecnologia da informação”, destacou.

    “E são os profissionais dessa área que constroem, melhoram e dão suporte ao uso dos softwares. Portanto, a expectativa é que a demanda por esses talentos siga em crescimento exponencial nos próximos anos”, explicou Moacir Marafon, vice-presidente de Talentos da Acate.

    Segundo especialistas em segurança digital ouvidos pela CNN, além da pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia também revela a importância desses tipos profissionais.

    Tanto que, na última semana, o ministro de Transformação Digital ucraniano, Mykhailo Fedorov, convocou um “exército” de profissionais de TI para ajudar a Ucrânia no front digital contra a Rússia.

    A ideia do ministro ucraniano é interromper os ataques DDoS, que tornam instáveis alguns sites do governo ucraniano, bancos virtuais e instituições financeiras. As investidas da Rússia pela internet contra a Ucrânia foram confirmadas pela empresa de segurança digital Symantec, por meio do Twitter.

    “Estamos criando um exército de TI. Precisamos de talentos digitais. Haverá tarefas para todos. Continuamos a lutar na frente cibernética. A primeira tarefa está no canal para especialistas cibernéticos”, escreveu o ministro nas redes sociais.

    Na última semana, um aparente ataque cibernético atingiu o site do Ministério da Defesa da Ucrânia e um dos maiores bancos comerciais do país, de acordo com as declarações das agências governamentais ucranianas.

    Horas depois, no entanto, uma atualização de uma agência do governo ucraniano informou que dois sites bancários voltaram a operar normalmente.

    “A guerra que estamos presenciando acontece de forma híbrida. Junto com a invasão militar mais clássica, com tanques, temos agora uma invasão cibernética. Além da inutilização de sites, estamos vendo sistemas de energia, telecomunicações e redes de internet severamente manipulados na Ucrânia para criar caos durante a invasão”, afirmou o Coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, Luca Belli.

    “A população sem eletricidade, acesso à televisão e à internet, não consegue se organizar. E isso facilita muito a invasão russa. Os russos dispõem de tecnologia de ponta e vão utilizar tudo o que for possível para vencer a guerra. Os profissionais desse setor tecnológico são fundamentais nessa invasão”, completou.

    Para o especialista em Tecnologia e Segurança Digital, Arthur Igreja, os ataques cibernéticos “massivos” na Ucrânia não surpreendem, já que a Rússia é um “território fértil para hackers”.

    Ele destaca que a internet se tornou uma nova interface para a realização de uma guerra e que os russos se tornaram especialistas nesse tipo de agravo.

    “Sem sombra de dúvida esse movimento de ataques cibernéticos da Rússia não surpreende. É uma nova dimensão das guerras, uma nova interface que vai muito além dos tanques, aviões e navios. Atualmente é possível paralisar até mesmo uma nação, se você conseguir tirar do ar sistemas que são importantes”, explicou.