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    Ex-CEO da corretora FTX reconhece que cometeu “erros”, mas diz que não fraudou ninguém

    Sam Bankman-Fried, da FTX, testemunhou em sua própria defesa nesta sexta-feira (27)

    O empresário Sam Bankman-Fried, fundador da FTX
    O empresário Sam Bankman-Fried, fundador da FTX REUTERS/Amr Alfiky

    Por Jody Godoy e Luc Cohen, da Reuters

    Testemunhando em sua própria defesa nesta sexta-feira (27) em julgamento por fraude, Sam Bankman-Fried, ex-CEO da FTX, reconheceu que “muitas pessoas se machucaram” quando a corretora de criptoativos que ele fundou entrou em colapso.

    Porém, Bankman-Fried disse que não fraudou ninguém e nem desviou recursos de clientes.

    Pouco depois de prestar depoimento em um tribunal em Manhattan, o executivo disse que cometeu “uma série de pequenos erros e uma série de erros maiores” enquanto dirigia a agora falida exchange. Segundo ele, o maior erro foi não ter implementado uma equipe dedicada a gestão de risco.

    “Pensamos que poderíamos construir o melhor produto do mercado”, disse Bankman-Fried. “Aconteceu basicamente o oposto disso. Muita gente se machucou, clientes, funcionários e a empresa acabou falindo.”

    O depoimento marcou a primeira vez que os 12 jurados e cinco suplentes ouviram diretamente o ex-bilionário de 31 anos, após 12 dias de julgamento.

    Os promotores acusam Bankman-Fried de usar recursos de clientes da FTX para sustentar seu fundo de hedge focado em criptoativos, Alameda Research; fazer investimentos de risco especulativos e doar mais de US$ 100 milhões (R$ 498,79 bilhões) para campanhas políticas nos Estados Unidos.

    O fundador da corretora também enfrenta acusações de conspiração para enganar os credores da Alameda e os investidores da FTX. Bankman-Fried se declarou inocente.

    O julgamento do ex-CEO da FTX, que começou em 3 de outubro, está chegando ao fim quase um ano depois do colapso da empresa em meio a uma onda de saques de clientes.

    A empresa declarou falência em novembro de 2022 e Bankman-Fried foi indiciado no mês seguinte.

    Os jurados ouviram três de seus confidentes mais próximos na FTX e na Alameda, todos os quais se declararam culpados e concordaram em cooperar com os promotores. Eles testemunharam no início deste mês que cometeram crimes financeiros a mando de Bankman-Fried.

    Para réus, testemunhar é um movimento arriscado porque os deixa expostos a interrogatório por parte dos procuradores.

    Mas dada a propensão de Bankman-Fried para o risco, ele provavelmente considerou testemunhar como sua melhor chance de contrariar os relatos dos três ex-membros de seu círculo íntimo, que eram apoiados por planilhas que, segundo eles, demonstram como os fundos dos clientes foram roubados e mensagens de texto onde discutiram com Bankman-Fried a escassez de recursos na FTX.

    Veja também: Fundador da FTX é julgado nos EUA