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    Falas de vencedor das prévias da Argentina pressionam moeda e mercado de ações do país

    Javier Milei defende desmantelar banco central e colocar dólar como moeda oficial do país; Goldman Sachs vê "propostas políticas radicais"

    Candidato à presidência da Argentina, Javier Milei
    Candidato à presidência da Argentina, Javier Milei REUTERS/Mariana Nedelcu

    Por Eliana Raszewski e Jorgelina do Rosario, da Reuters

    A pressão sobre a moeda e o mercado de ações da Argentina aumentou nesta segunda-feira (14) depois que o candidato de extrema-direita, Javier Milei — que deseja desmantelar o banco central e dolarizar a economia — venceu inesperadamente as eleições primárias.

    O parlamentar Javier Milei, do partido de extrema-direita Liberdade Avança, desestabilizou a corrida presidencial na Argentina, com eleições marcadas para outubro, ao superar vencer as prévias no país. O candidato obteve cerca de 30% dos votos, com 90% das urnas apuradas.

    Projeções

    Os mercados apostavam num bom desempenho dos candidatos mais moderados, que tiveram uma noite ruim na votação que serve de ensaio geral para as eleições argentinas.

    O resultado pode enfraquecer a cotação do peso argentino nos populares mercados paralelos nesta segunda-feira e afetar os títulos, que subiram nas últimas semanas.

    Enquanto isso, as ações argentinas estavam sendo negociadas em baixa, com o Global X MSCI Argentina ETF caindo 4,3% nas negociações de pré-abertura dos Estados Unidos.

    O banco de investimentos JP Morgan projetou “uma pressão crescente sobre a taxa de câmbio, o que resultaria em um fosso cada vez maior entre o câmbio paralelo e o câmbio oficial”, segundo nota do analista Diego Pereira.

    A taxa de câmbio oficial é de 287 pesos por dólar, enquanto nos mercados paralelos é negociada a mais do dobro desse valor.

    O banco norte-americano recomendou manter o “peso do mercado” nos títulos do governo argentino, já que as perspectivas financeiras existentes “se deteriorarão ainda mais”.

    Em um contexto de anos de crise econômica, os mercados argentinos estão instáveis há muito tempo.

    Após um resultado semelhante nas eleições primárias de 2019, os títulos e a moeda entraram em colapso e continuam com problemas, com o peso afetado por controles de capital que o governo não conseguiu desfazer.

    A terceira maior economia da América Latina tem lidado com uma grave crise econômica com inflação elevada e queda das reservas do banco central argentino.

    As reservas brutas da entidade chegam a US$ 23,8 bilhões (R$ 117,81 bilhões), mas as reservas líquidas, descontadas as obrigações, ultrapassam um saldo negativo de US$ 8 bilhões (R$ 39,6 bilhões), segundo analistas privados.

    Eleições a caminho

    A vitória de Milei no domingo (13) adiciona um fator desconhecido adicional que pode afetar o sentimento do mercado, embora isso possa ser atenuado pelo fato de que ele ainda enfrenta uma dura luta em outubro e um provável segundo turno em novembro, o que testará sua capacidade de conquistar mais eleitores.

    O Goldman Sachs disse em uma nota antes da eleição que Milei apoia “propostas políticas radicais”, incluindo dolarização e cortes drásticos de gastos, levantando alguma incerteza devido à falta de uma máquina política estabelecida.

    Para ser eleito presidente no dia 22 de outubro, um candidato precisa atingir 45% dos votos ou 40% e uma vantagem de 10 pontos sobre o segundo. Se não houver um vencedor absoluto, como parece provável, uma votação entre os dois principais candidatos ocorrerá em novembro.

    Veja também: Mesmo que ganhe, oposição não vai conseguir governar na Argentina, afirma professor