Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Falta de equilíbrio fiscal pode “desequilibrar todo o resto”

    Campos Neto defende aprovação pelo Congresso Nacional de medidas encaminhadas pelo governo para elevar a arrecadação de impostos

    "É como se a barra tivesse subido e você tivesse que ser um melhor aluno do que você pensava que teria que ser no passado", comparou
    "É como se a barra tivesse subido e você tivesse que ser um melhor aluno do que você pensava que teria que ser no passado", comparou 08/08/2019REUTERS/Amanda Perobelli

    Reuters

    O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, defendeu nesta quinta-feira a importância da aprovação pelo Congresso Nacional de medidas encaminhadas pelo governo para elevar a arrecadação de impostos, ao mesmo tempo em que voltou a chamar a atenção para o elevado gasto público no país, ressaltando que a falta de equilíbrio fiscal pode “desequilibrar todo o resto”.

    Em apresentação durante evento da regional da Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave) no Mato Grosso, Campos Neto apontou que o cenário internacional mais desafiador, com preocupações fiscais relacionadas aos Estados Unidos, assim como as taxas de juros norte-americanas mais elevadas, aumenta a importância da aprovação das medidas pelo Congresso.

    “É como se a barra tivesse subido e você tivesse que ser um melhor aluno do que você pensava que teria que ser no passado”, comparou.

    “O governo precisa de receita adicional para poder chegar no objetivo, ou seja, precisa de mais arrecadação. Mais arrecadação, a gente está vendo que tem uma série de projetos (no Congresso) para serem aprovados, e eu estava conversando agora sobre a importância de aprovar esses projetos”, disse Campos Neto.

    Ele reiterou que o país vive uma “desancoragem gêmea”, com o mercado desconfiando tanto do cumprimento das metas de inflação como dos objetivos fiscais, e disse que o “piloto” da desancoragem são as expectativas para as contas públicas.

    Campos Neto afirmou, ainda, que o país tem “uma dificuldade grande em cortar gastos”, dado o que classificou como um orçamento público “muito engessado” e um “sistema onde você faz várias medidas que deveriam ser temporárias e elas se tornam permanentes”.

    “Mesmo com arcabouço, a despesa primária do governo vai crescer 9,2% em 2023 e 3,3% em 2024. Isso é bem acima do mundo emergente, é bem acima dos nossos pares”, afirmou.

    Ele alertou para o impacto desse desequilíbrio fiscal para a economia como um todo: “No final das contas, se a gente não conseguir equilibrar o fiscal, a gente pode desequilibrar todo o resto”.

    RESILIÊNCIA

    O presidente do BC afirmou ainda em sua apresentação que a economia brasileira tem se mostrado resiliente, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superando expectativas, e afirmou que isso indica uma melhora estrutural como resultado de reformas feitas desde o governo do ex-presidente Michel Temer, como a trabalhista e a redução do subsídio nos empréstimos do BNDES com a implantação da TLP (Taxa de Longo Prazo).

    Campos Neto disse ainda que a inflação brasileira está melhor do que a média mundial e afirmou que objetivo do banco central é o “pouso suave”, esfriando a alta dos preços com mínimo de custo para a sociedade.

    Veja também: Vendas do varejo recuam 0,2% em agosto, segundo IBGE