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    Fica difícil acreditar que o governo vai zerar o déficit, diz especialista à CNN

    Zeina Latif cita incerteza com as receitas em cenário que depende de decisões do Congresso

    Da CNN

    São Paulo

    Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (31), a consultora econômica Zeina Latif afirmou ser difícil acreditar que o governo irá conseguir cumprir a meta fiscal do ano que vem, de zerar o déficit primário.

    “A gente está falando de muitas incertezas ao que pode trazer de receitas […] São R$ 168 bilhões que vão depender de decisão do Congresso”, afirmou.

    Latif também citou as dificuldades que o governo enfrentou para aprovar a retomada do voto de qualidade no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf).

    “A MP [medida provisória] teve que voltar, depois venceu, teve que tentar por outro caminho, e com ajustes que reduzem a estimativa de receita. Por todas essas questões, fica difícil a gente acreditar que vai zerar o déficit”, completou.

    No entanto, a economista destacou que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não tinha como seguir outro caminho em relação ao Orçamento.

    “Nesse momento, não havia como Haddad fazer diferente […] Se ele viesse com um número que viesse a ser crível, vamos dizer assim, seria jogar a tolha muito cedo em termos de reputação. Esse seria um cenário ainda pior”, avaliou.

    A especialista afirmou ainda que o governo anterior fez uma “compressão artificial” de despesas.

    “E isso exigia, portando, aquela chamada PEC da Transição, para recompor algumas delas”, disse. “Aquele número de despesa, de fato, não era sustentável. Mesmo que tivesse tido continuidade do governo anterior, algum tipo de PEC de Transição ia ter que ocorrer”.

    Para a economista, aumentar a carga tributaria seria ruim neste momento em que se debate mudanças no sistema de impostos e taxações no país.

    “A gente está discutindo reforma tributária, então vai enfrentar muita dificuldade. E aquela palavrinha chave, de ‘vamos conter despesas’, não aparece”, disse.

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    Publicado por Amanda Sampaio, da CNN.