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    Geração Z gasta menos com entretenimento; moradia é o maior gasto

    Levantamento mostra que, nos EUA, geração dos jovens com até 25 anos gasta 69% da renda com habitação, comida e transporte

    Maior uso da internet e redes sociais pode ter reduzido gastos com entretenimento
    Maior uso da internet e redes sociais pode ter reduzido gastos com entretenimento Freestocks/Unsplash

    Juliana Eliasdo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    A geração Z, formada pelos jovens que nasceram de 1997 em diante, gasta proporcionalmente uma fatia menor de sua renda com entretenimento do que os mais velhos – fenômeno que pode estar ligado ao maior tempo gasto com atividades gratuitas pela internet.

    É, por outro lado, a que perde um pedaço maior do total que ganha com os gastos mais básicos: habitação, transporte e alimentação.

    É o que mostra um levantamento divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, feito pela analista de dados Preethi Lodha com base nos números oficiais do escritório de estatísticas de trabalho e renda dos Estados Unidos.

    Imagem: CNN

    Em 2021, esses jovens gastaram US$ 41.636 (R$ 214.930) – menos do que todos os outros grupos de idade.

    O maior orçamento foi o da geração X (os nascidos entre 1965 e 1980), que gastou US$ 62.203 (R$320.680) para arcar com tudo o que consumiu em bens e serviços no ano passado.

    “Os hábitos de consumo deles ainda devem aumentar, especialmente considerando que a pessoa mais velha da geração Z tem apenas 25 anos e está ainda no começo de carreira”, pontua o Fórum Econômico Mundial em sua publicação.

    Do total gasto pelos “Z”, US$ 1.693 foi para atividades de entretenimento, ou o equivalente a 4,1%. Os millenials, a geração imediatamente anterior a eles, nascida entre 1981 e 1996, deixaram 5% de seu orçamento para a diversão.

    As gerações X (1965-80) e dos “boomers” (1946-64) gastaram 5,6%, cada uma, e, entre aqueles com mais de 77 anos (nascidos de 1945 para trás), chamada de “geração silenciosa, a fatia para o entretenimento foi de 4,5%.

    “A geração Z é a que gastou menos com entretenimento, o que pode ter a ver com os tipos de entretenimento que essa geração tipicamente consome”, analisa a publicação.

    “Um estudo descobriu, por exemplo, que 51% dos entrevistados entre 13 e 19 anos assistem a vídeos no Instagram semanalmente, enquanto só 15% veem TV a cabo.”

    O maior gasto, para todos os grupos, continua sendo a habitação, que leva cerca de um terço da renda para todos eles. É para a geração mais jovem, Z, e a mais velha, a silenciosa, que o gasto com a moradia mais pesa, mordendo 37% do total.

    Na outra ponta, a geração X gasta 31% de seu orçamento com a casa onde mora.

    É também para a geração Z que os gastos mais essenciais têm maior peso: habitação, transporte e alimentação, somados, tomam 69% da renda deles. Para a geração X, é um pacote que custa 60,9% do que eles têm.

    No Brasil, mais gasto com comida

    No Brasil, a fatia do orçamento que vai para moradia é parecida, também de cerca de um terço da renda.

    De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), feita a cada dez anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o brasileiro gastava, em média, 36,6% de seu orçamento com habitação em 2017 e 2018.

    É na alimentação, porém, que está a grande diferença: 17,5% de todo o dinheiro disponível das famílias brasileiras vai para levar comida para casa.

    Nos dados do mercado americano, esse grupo não leva mais do que 13% da renda, que é quanto o jovem da geração Z gasta hoje para se alimentar nos Estados Unidos.

    Com isso, o brasileiro ainda acaba tendo uma parte maior de sua renda disponível comprometida com os gastos mais essenciais: habitação, alimentação e transporte representam 72,2% do total.

    Em 1975, essa proporção era ainda maior, de 75,5%, de acordo com o Estudo Nacional de da Despesa Familiar que era feito à época.

    Os gastos com diversão e cultura, por sua vez, são ainda menores: 2,6% do que o brasileiro ganha, em média, vai para essas atividades atualmente.

    “Todas as tendências de mudança de consumo que são apresentadas no mercado americano também devem aparecer no mercado brasileiro”, diz a coordenadora do curso de administração da ESPM, Frederike Mette.

    “Mas as semelhanças devem ser maiores a partir da geração dos millenials, porque a diferença social no Brasil é muito grande e, há cinco ou seis décadas, era maior ainda.

    De acordo com ela, conforme o nível de renda avança no Brasil, as diferenças nos hábitos de consumo daqui e dos países mais desenvolvidos devem reduzir.

    “Tivemos uma ascensão muito grande das classes mais baixas nas últimas duas décadas. Hoje, a geração Z já deve ser bem mais similar; com a internet, o gosto do nosso adolescente é muito parecido com o dos Estados Unidos ou o do Japão”, disse Mette.