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    Greves em montadoras dos EUA questionam aumento nos salários de CEOs

    Remuneração e os benefícios dos executivos têm disparado nas últimas décadas, mas a remuneração dos trabalhadores não tem acompanhado esse ritmo

    Presidente do UAW, Shawn Fain, pediu inicialmente um aumento de 40% nos salários dos trabalhadores nos próximos quatro anos
    Presidente do UAW, Shawn Fain, pediu inicialmente um aumento de 40% nos salários dos trabalhadores nos próximos quatro anos 19/09/2023 REUTERS/Rebecca Cook

    Por Heather Timmons e David Gaffen, da Reuters

    Quando o presidente-executivo da empresa recebe um aumento de 40% em seu salário, o que os trabalhadores merecem?

    Essa pergunta está no centro das greves do sindicato United Auto Workers (UAW) nas fábricas de montagem de propriedade da Ford, General Motors e Stellantis nos Estados Unidos.

    O presidente do UAW, Shawn Fain, pediu inicialmente um aumento de 40% nos salários dos trabalhadores nos próximos quatro anos — um número baseado em uma alta de aproximadamente 40% no salário dos presidente-executivos das montadoras nos últimos quatro anos, em um momento de lucros estáveis para duas das três empresas.

    Mas empresas automobilísticas norte-americanas não são as únicas a distribuir pagamentos maciços aos presidentes-executivos.

    A remuneração e os benefícios dos CEOs têm disparado nas últimas décadas, mas a remuneração dos trabalhadores não tem acompanhado esse ritmo.

    A proporção entre a remuneração do presidente-executivo e a do trabalhador médio de produção sem supervisão nas maiores empresas dos EUA saltou de menos de 40 para 1 nas últimas quatro décadas para quase 400 para 1, calculou o Economic Policy Institute em 2022.

    Em contrapartida, alguns trabalhadores das três grandes montadoras que protestavam na estrada entre Ohio e Michigan nesta semana disseram que precisavam ter dois empregos para sobreviver.

    Reestruturar a economia norte-americana para tornar a situação mais “justa” para os trabalhadores e eleitores tem sido uma meta há muito tempo declarada no plano econômico do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

    O capitalismo deve funcionar “para o bem do povo norte-americano”, disse ele, mas décadas de cortes de impostos para empresas e ricos têm minado o sistema.

    Quando as greves começaram na semana passada, Biden fez eco a Fain, dizendo que as montadoras deveriam oferecer uma maior parte de seus lucros aos trabalhadores.

    Mas a Casa Branca tem pouca influência além do púlpito de intimidação e, em vez disso, está estudando como evitar o impacto econômico de uma paralisação de longo prazo.

    As tentativas de lidar com o aumento da remuneração dos CEOs em décadas passadas não surtiram o efeito desejado, disse Rosanna Landis Weaver, diretora de justiça salarial e remuneração de CEOs da As You Sow, um grupo sem fins lucrativos de defesa dos acionistas.

    Os salários foram mantidos baixos, mas a remuneração dos altos executivos por meio do uso de opções de ações, que muitos consideravam “dinheiro grátis”, aumentou, disse ela.

    Veja também: Em Nova York, Haddad detalha Plano de Transformação Ecológica