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    Investidores estão ficando mais otimistas com o Brasil, diz Economist

    De acordo com revista britânica, bom desempenho do ministro Haddad, avanço de reformas e sorte estão entre fatores que estão ajudando a melhorar expectativas para o país

    Juliana Eliasda CNN

    em São Paulo

    Passados os primeiros seis meses do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Brasil vê o otimismo de investidores globais com o país crescer, apesar da desconfiança inicial.

    A análise é da revista britânica The Economist, que publicou nesta quarta-feira (2) um artigo intitulado “Investidores estão cada vez mais otimistas com a economia do Brasil”.

    Entre os fatores mencionados pela publicação, estão um “ministro da Fazenda eficiente”, em menção à aprovação crescente de investidores a Fernando Haddad, o avanço das reformas tributária e fiscal que o próprio Haddad ajudou a emplacar e, também, um pouco de sorte — já que “a melhora da riqueza no Brasil é, em parte, resultado de coisas que fogem do controle de Lula”.

    Entre esses fatores externos, a revista menciona o aumento global do preço de alimentos exportados pelo Brasil, como a soja, e até mesmo reformas feitas pelo governo anterior, de Jair Bolsonaro, caso do projeto de 2021 que consolidou a autonomia do Banco Central (BC) no país.

    “As exportações de soja, sozinhas, podem responder por um quinto do crescimento econômico deste ano“, diz o texto.

    “Também ajuda o fato de que o Banco Central do Brasil é independente. (…) Lula culpa [Roberto Campos] Neto [presidente do BC] por prejudicar a economia ao manter os juros em 13,75%, um dos mais altos do mundo. Mas a política do banco parece ter compensado. A inflação anual caiu de 12% em abril do ano passado para 3,2% hoje.”

    Avaliação melhor

    Entre os sinais desse crescente otimismo, a Economist cita a recente elevação na nota de crédito do Brasil pela agência Fitch – “o primeiro desde que o país foi rebaixado em 2018” -, o crescimento de investimentos estrangeiros no Brasil e a também a melhora na aprovação do governo e de Haddad medida por pesquisas.

    “Havia muito pessimismo entre os nossos clientes [no início do ano], e agora muitos deles veem alguns anos de bonança à frente”, disse à reportagem o economista brasileiro Felipe Salto, da gestora Warren.

    Haddad e reformas

    “Várias políticas do governo Lula também animaram os investidores”, diz o texto da Economist.

    “Muitos economistas creditam a Fernando Haddad, ministro da Fazenda, grande parte do otimismo. É ele que está por trás das duas grandes reformas que podem ajudar a estabilizar o Brasil.”

    Sobre o novo marco fiscal, já aprovado no Congresso e aguardando a última apreciação dos deputados, a Economist diz que o projeto deve “substituir um teto de gasto rígido, que foi repetidamente furado, por uma regra flexível” e que tende, “ao longo do tempo, a estabilizar a dívida pública do Brasil”.

    Quanto à reforma tributária, a publicação diz que ela é “muito necessária” e destaca a complexidade do sistema atual.

    “Atualmente, o governo federal, os 27 estados e os mais de 5.000 municípios definem seus próprios tributos. Em 2019, o Banco Mundial estimou que as empresas perdem 1.500 horas por ano para cumprir a legislação tributária brasileira, comparado a uma média mundial de 233 horas.”

    O texto lembra, entretanto, que em ambos os casos há ainda riscos e lacunas que ainda precisam ser preenchidas.

    É o caso de como o governo vai conseguir entregar o déficit fiscal zero prometido para 2024 pelo novo marco fiscal – “em vez de cortar gastos ou focar no crescimento, o governo espera aumentar as receitas” -, e também de qual será a conta final da lista de exceções e da alíquota a ser fixada no novo imposto da reforma tributária.

    “Embora o crescimento tenha se recuperado desde o fim da pandemia em 2021, ficou muito atrás de países como China ou Índia”, pontua a reportagem.

    “O cenário global e os feitos de Haddad estão aumentando o otimismo dos investidores agora. Mas será necessária uma boa política consistente para reverter a tendência de longo prazo do Brasil”, conclui.