Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Juros altos prejudicam criação de empregos e dados do Caged reforçam queda da Selic, dizem especialistas

    Entre janeiro e junho, país registra saldo positivo de 1 milhão de vagas abertas, o resultado mais baixo desde 2020

    Apesar da desaceleração observada nos últimos meses, o resultado ainda é bastante positivo considerando o desempenho mais fraco da atividade
    Apesar da desaceleração observada nos últimos meses, o resultado ainda é bastante positivo considerando o desempenho mais fraco da atividade Pixabay

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nessa quinta-feira (27), mostraram a geração de 157 mil vagas em junho, abaixo da expectativa dos analistas.

    No acumulado do primeiro semestre, o país registrou saldo positivo de pouco mais de 1 milhão de vagas, o resultado mais baixo desde 2020, quando o mercado foi afundado pela crise da Covid-19.

    Segundo especialistas ouvidos pela CNN, a manutenção dos juros no atual patamar de 13,75% desde agosto de 2022 tira força do mercado de trabalho e contribui para a redução da criação de vagas em comparação ao mesmo período de anos anteriores.

    Conforme Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, os setores de comércio, indústria e a parte privada da construção sofreram mais com o cenário doméstico de juros elevados.

    “Diante da perspectiva de desaceleração da economia ao longo de 2023, espera-se evolução mais moderada do mercado de trabalho, ficando evidenciada pelo saldo líquido de vagas acumulado em 12 meses. Nossa perspectiva para 2023 é de saldo líquido positivo de 1,4 milhão de vagas formais”, afirma.

    Para Matheus Pizzani, economista da CM Capital, o desaquecimento do mercado de trabalho no serviço — segmento que mais gerou vagas em junho e no semestre — também é importante do ponto de vista da pressão sobre a inflação.

    O setor possui a maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB), e a desaceleração deve reforçar a expectativa sobre o Banco Central (BC) para iniciar o corte de juros a partir do próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 1º e 2 de agosto, diz o especialista.

    “A desaceleração registrada hoje fecha o conjunto de dados utilizados como base para sustentar a hipótese de queda na taxa de juros na próxima semana”.

    Olhando para todos os setores, o economista Pizzani diz que o freio na geração de vagas e a queda dos salários ajudam a aliviar a inflação e reforçam os discursos para queda dos juros. “Este cenário é algo que pode ser importante, especialmente no caso dos salários de admissão, uma vez que sugere menor pressão inflacionária pela via do consumo das famílias”.

    Desaceleração econômica

    Apesar da desaceleração geral, Imaizumi aponta que todos os grandes setores registraram criação líquida de postos.

    Os mais sensíveis ao crédito — a indústria e a construção civil — geraram saldos positivos de vagas em junho.

    “A construção civil se beneficia da retomada de investimentos e obras públicas, como se pode observar na segunda subclasse que mais gerou vagas formais em junho (construção de rodovias e ferrovias)”.

    Na visão de Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, mesmo com a perda de fôlego, o resultado ainda é bastante positivo, considerando o desempenho mais fraco da atividade, principalmente no 2º trimestre.

    “O saldo positivo mostra uma resiliência do mercado de trabalho formal, que continua apresentando crescimento mesmo diante da desaceleração da atividade. Em parte, essa mudança estrutural refletida no crescimento do emprego formal acima do informal, pode ser atribuída à reforma trabalhista, que melhorou a dinâmica no setor.”

    Pizzani comenta que o resultado do Caged, apesar de ter sido inferior à expectativa do mercado, não deve necessariamente ser considerado surpreendente.

    O esfriamento já era percebido por indicadores de atividade do período divulgados ao longo do mês, com destaque para o IBC-Br, que já apontavam para uma economia menos dinâmica do que nos meses anteriores.

    “Tal hipótese foi confirmada com o resultado do levantamento, que marcou a quarta desaceleração consecutiva na geração líquida de vagas no mercado de trabalho, tendo sido marcada por quedas em boa parte dos principais setores da economia, especialmente no de serviços.”

    O economista diz que, mesmo aqueles que apresentaram resultado positivo em termos de geração de vagas, como o comércio, acabaram sendo beneficiados por efeitos sazonais, cujos efeitos devem se dissipar ao longo dos próximos meses.

    “Isso significa que, estruturalmente, o mercado de trabalho brasileiro possui perspectivas negativas, hipótese em linha com os fundamentos macroeconômicos da atual conjuntura, especialmente no caso da política monetária.”

    Veja também: Indicado ao IBGE fala em “perseguição ao docente”