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    Mercado reage bem logo após renúncia de Johnson, mas não indica otimismo; entenda

    Máxima "ativos caem no boato e sobem no fato" tem se provado nesse contexto, antecedido por intensos desgastes na economia britânica

    Ao momento do anúncio da renúncia de Johnson, a Bolsa britânica registrou alta de 1% e a libra, em relação ao dólar, em quase 0,5%
    Ao momento do anúncio da renúncia de Johnson, a Bolsa britânica registrou alta de 1% e a libra, em relação ao dólar, em quase 0,5% Foto: Benoit Tessier/Reuters

    Priscila Yazbekda CNNTamara Nassifdo CNN Brasil Business*

    em São Paulo

    A renúncia do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, nesta quinta-feira (7) acontece em meio a uma sucessão de crises de seu governo — o desgaste da economia britânica incluso.

    Ao momento do anúncio, no entanto, tanto a Bolsa de Londres quanto a libra-esterlina registravam altas. Parece contra-intuitivo o mercado reagir positivamente a uma crise política, não fosse o cenário que antecede a queda de Johnson.

    Segundo dados divulgados em maio, a inflação do Reino Unido atingiu o maior patamar em 40 anos, a 9,1%, e a expectativa é que continue subindo ao longo dos próximos meses. O Banco da Inglaterra estima o pico em dois dígitos, a 11%, em outubro.

    Outras instituições tampouco estão otimistas quanto ao futuro da economia britânica. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o PIB da quinta maior economia do mundo cresça em 3,6% este ano, fortemente influenciado pela retomada de atividades paralisadas pela pandemia.

    Com o cenário normalizado em 2023, a expectativa é que a economia fique estagnada e, entre os países que pertencem à OCDE, só tenha um resultado melhor que a Rússia em termos de PIB, abatida pela guerra na Ucrânia.

    Algumas consultorias, por outro lado, já falam em riscos de recessão. O banco norte-americano Goldman Sachs, por exemplo, estima em 40% o risco do continente europeu enfrentar uma queda no PIB ano que vem, ao passo que o Reino Unido, por si só, já está no patamar de 45%.

    A expectativa de recessão por lá é maior que no resto do mundo. Isso porquê, além da sucessão pandemia e guerra na Ucrânia, que tem jogado preços de alimentos e energia a altas recordes, o Reino Unido ainda enfrenta rescaldos do Brexit.

    Os efeitos no mercado financeiro, no entanto, seguem outros ventos. Ao momento do anúncio da renúncia de Johnson, a Bolsa britânica registrou alta de 1% e a libra, em relação ao dólar, em quase 0,5%.

    A máxima “ativos caem no boato e sobem no fato” tem se provado nesse contexto.

    Os rumores de renúncia de Johnson derrubaram os ativos — a libra, por exemplo, atingiu o menor patamar em dois anos em relação ao dólar na última quarta-feira, enquanto investidores antecipavam o rumo da política britânica.

    Com o fato se concretizando, os ativos tiveram alívio. Isso explica um pouco da reação que, ao primeiro momento, parece positiva do mercado, mas, na verdade, apresenta correção quanto às fortes quedas registradas anteriormente, motivadas pelo cenário macro do Reino Unido.