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    Lula na COP28: O Brasil não será membro efetivo da Opep porque nós não queremos

    Presidente foi questionado sobre o ingresso na organização de países exportadores de petróleo e defendeu o papel de observador no grupo

    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante conferência climática da ONU COP28, em Dubai
    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante conferência climática da ONU COP28, em Dubai Thaier Al Sudani/Reuters (01.dez.23)

    Mathias BroteroGustavo ZanferAmérico Martinsda CNN

    Dubai e São Paulo

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu neste domingo (3) durante entrevista na COP28, em Dubai, que o Brasil deve participar da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) como observador, mas não como membro efetivo.

    Lula foi questionado sobre a aceitação do ingresso na Opep+ ao mesmo tempo em que defende a redução do uso de combustíveis fósseis no mundo.

    “Não tem nenhuma contradição. O Brasil não será membro efetivo da Opep porque nós não queremos. O que queremos é influir”, argumentou o petista.

    Lula defendeu que o papel de observador é essencial para “dar palpite” e “oferecer alternativas” ao uso do petróleo, e de que o mesmo é feito para o G7, G20, Brics e outros grupos.

    “Antes de você acabar [com o petróleo] por sectarismo, você precisa oferecer a humanidade opções, e a nossa participação na Opep+ é pra gente discutir com a Opep a necessidade dos países que têm petróleo.”

    Veja também: Brasil analisa convite para participar da OPEP+

    O presidente quer propor que países ricos comecem a investir na produção de combustíveis menos poluentes em países pobres da América Latina, na África e na Ásia: “A gente vai convencer as pessoas que uma parte do recurso deve ser investido para a gente ir anulando o petróleo”.

    Lula voltou a adotar um tom de cobrança em relação aos países mais poluentes do planeta, como os EUA, e criticou o fato de que esses países ricos “muitas vezes acham que o problema é só dinheiro”. “Não é só dinheiro, eles também têm a responsabilidade de diminuir as emissões de gases do efeito estufa”, disse Lula.

    O governo brasileiro buscará investimentos na Opep+ e pretende reforçar a necessidade de transição energética.

    Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, afirmou que o Brasil pretende levar ideias sobre bioeconomia, transporte, mobilidade e produção de alimentos sustentáveis. “Por que não participar de um fórum tão qualificado que vai permitir ao Brasil fazer as discussões e defender as ideias que já são do Brasil?”, disse Silveira.

    O ministro afirmou que o convite que o país recebeu para integrar o grupo diz que aquele “é o fórum qualificado para discutir a estratégia de curto, médio e longo prazo para mudança estratégica dos combustíveis fósseis”.

    Agora, Lula deixa Dubai e embarca para a Alemanha, onde terá agenda com o chanceler Olaf Scholz ao longo dos dias 3 e 4 de dezembro.

    Opep+

    No sábado (2), Lula confirmou o ingresso no Brasil na Opep+, um subgrupo que agrega os 13 membros da Opep com outros dez países, que não têm poder de voto.

    Já fazem parte deste apêndice o Azerbaijão, Bahrein, Brunei, Cazaquistão, Malásia, México, Omã, Sudão, Sudão do Sul e Rússia (com o mercado de petróleo mais influente).