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Mercado avalia que comunicado do BC aponta queda da Selic no 1º tri de 2026

Economistas consultados pela CNN disseram que nota da decisão que manteve taxa básica de juros em 15% não trouxe grandes surpresas

Fabrício Julião, da CNN Brasil, em São Paulo
Sede do Banco Central em Brasília  • 22/03/2022. REUTERS/Adriano Machado
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O Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira (10) e, para parte do mercado, reforçou a expectativa de que a taxa básica de juros deve começar a cair no primeiro trimestre de 2026. A maior dúvida é: quando?

Para os economistas consultados pela CNN, o tom do comunicado do BC deu a entender que o primeiro corte vai ser realizado na reunião de março. Há, entretanto, os mais otimistas que acreditam que a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), em janeiro, será a decisiva.

"O comunicado veio mais ou menos em linha com o que a gente esperava. O Banco Central mostra que o corte de juros está mais próximo, mas ainda não está maduro", destacou Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank.

Para Salles, o principal destaque veio na revisão da projeção da inflação, que caiu de 3,3% para 3,2%. "Está mais perto da meta, mas ainda não está lá", acrescentou.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, avaliou que o tom do Copom se manteve "extremamente conservador e hawk", mas que o novo modelo de inflação projetado é uma grande novidade.

"Segundo a nossa pesquisa, isso já seria o suficiente para o BC começar o ciclo de cortes no ano que vem. Mercado deve se posicionar entre janeiro e março para início dos cortes", ressaltou.

No mercado de derivativos, as opções de Copom mostram que 55% apostam na manutenção da Selic em 15% ao ano em janeiro e 35% em queda de 0,25 ponto percentual já na próxima reunião.

No encontro de março, 65% apostam que o colegiado vai começar a reduzir os juros - sendo que 40% acredita em um corte mais robusto, de 0,50 ponto percentual.

"A grande dúvida para essa reunião era se haveria algum tipo de sinalização que aumentasse a possibilidade de o Banco Central reduzir a taxa Selic em janeiro. O nosso cenário não é esse, é de corte em março. Na nossa leitura, não houve sinalização que de que a porta está aberta para cortar a taxa Selic em janeiro, o que em linhas gerais reforça nossa expectativa", declarou Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval

"Por outro lado, a comunicação do Banco Central, assim como esperávamos, traz um sentido de que o ciclo está andando, de que o Banco Central deu um passo adiante. Continua fazendo o reconhecimento de que a atividade econômica está arrefecendo, de que a inflação está melhorando. Existe o reconhecimento de que as coisas estão acontecendo na direção necessária", completou.

Em meio às expectativas pelo início do ciclo de cortes, o mercado se apega à comunicação das decisões para fazer suas projeções.

Felipe Salles, do C6 Bank, pontuou que houve uma troca de palavras no comunicado desta quarta-feira (10) que pode ser interpretada como uma sinalização para o que está por vir.

"Em relação à comunicação, ele [BC] troca a palavra 'suficiente' pela palavra 'adequada'. 'Suficiente' dá a impressão que não precisa mais, enquanto o 'adequado' me parece algo mais balanceado, mais neutro. Mostra que o corte de juros está mais perto".

O próprio presidente do BC, Gabriel Galípolo, reconhece que a leitura do comunicado da autoridade monetária virou uma "ciência" do mercado.

Apesar de não surpreender, a manutenção da Selic em 15% ao ano pela terceira vez consecutiva

A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) afirmou que a manutenção da taxa no atual patamar é consequência direta de uma política fiscal considerada desequilibrada, marcada por sucessivas expansões de gastos públicos.

A Federação destacou que o BC ainda não tem condições de baixar os juros devido ao cenário fiscal. Segundo o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, o atual cenário configura uma ameaça ao crescimento.

“Isso é consequência de uma política fiscal equivocada, em que há um ciclo contínuo de expansão de gastos. O governo precisa parar de gastar e fazer como fazemos na casa da gente: se está apertado, você aperta o cinto. Não expande o gasto. Essa conta não fecha desse jeito”, disse.

“A taxa básica de juros deprime todos aqueles que estão endividados, porque faz o compromisso com o juro ficar muito mais alto. E, dessa maneira, falta dinheiro para outras finalidades”, concluiu.

 

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