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    Medidas anunciadas por Lula indicam maior intervenção estatal na economia, diz Inter

    Banco destacou, em carta aos investidores, uma possível mudança na gestão das empresas estatais e bancos públicos no novo governo

    Fachada do banco Inter
    Fachada do banco Inter Divulgação/Inter

    Do CNN Brasil Business*

    Em carta ao mercado divulgada na quinta-feira (5), o Inter destacou que medidas anunciadas pelo novo governo indicam uma maior intervenção do estado na economia, entre elas a potencial mudança na gestão das empresas estatais e bancos públicos.

    “Desde a posse, o governo vem anunciando medidas na área econômica que trouxeram um sentimento mais negativo no mercado, principalmente relacionado às empresas estatais e os bancos públicos”, pontuou o banco.

    Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discutem uma medida provisória para alterar a lei das estatais, conforme apurou a CNN no início da semana. Além disso, o chefe do Executivo determinou no segundo dia de governo que sejam tomadas providências para revogar os atos que dão seguimento às privatizações de estatais.

    “Em entrevistas e discursos, os novos integrantes do governo destacam a intenção do uso dessas empresas como meio de políticas públicas para promover o crescimento no país”, acrescentou o Inter.

    O relatório destaca que a atuação dos bancos públicos, entre eles o BNDES, a Caixa e o Banco do Brasil, teve pico em 2015, quando o saldo total de crédito dessas instituições chegou a 30% do PIB contra 23% dos bancos privados e apenas 6% dos títulos de empresas em poder direto dos investidores.

    “Com o fim das taxas subsidias, principalmente a TJLP, que passou a ter equivalência ao custo de emissões do tesouro, o mercado bancário privado e o mercado de títulos teve uma forte expansão, ocupando o espaço deixado e crescendo de forma mais acelerada, com a maior competitividade do setor”.

    Nessa linha, o saldo bancário e de títulos privados como debentures, CRIs e CRAs nas mãos de fundos e investidores está hoje em 67% do PIB, ressalta o banco, bem acima dos 57% de 10 anos atrás e sem a necessidade de custo adicional de emissão do tesouro, devido ao fim dos repasses para o subsídio.

    Vale ressaltar que a TLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) está em vigor no BNDES desde 2018. A taxa é vista como bem sucedida pelo mercado por corrigir uma série de distorções criadas pela sua antecessora, a TJLP, uma vez que eliminou subsídios concedidos pelo Tesouro aos empréstimos feitos pelo banco.

    Em coletiva de imprensa quando ainda era apenas cotado para assumir a chefia do banco de fomento, Aloízio Mercadante fez críticas a TLP, o que levantou preocupações de agentes econômicos sobre a possível volta do crédito subsidiado.

    Alta de emissões no mercado de capitais

    O crescimento das emissões no mercado de capitais merece destaque, alerta o Inter, que diz que, em 2015, as concessões do BNDES somaram o recorde de R$169 bilhões no ano, o equivalente a 3% do PIB, enquanto no mercado de capitais as emissões de renda fixa foram de apenas R$97 bilhões, ou 1,5% do PIB.

    “Com o fim do crédito subsidiado e a modernização das regulamentações dos instrumentos de dívida privada, o mercado doméstico teve rápido crescimento. Vale ressaltar também a ampliação do acesso de investidores via plataformas digitais também contribuiu para a expansão do mercado de capitais no Brasil.

    O resultado foi a alta de quase 200% no volume de emissões nos últimos 6 anos e uma participação que chegou a 4% do PIB em 2022, diz o banco.

    “O financiamento anual de mais de R$ 400 bilhões em títulos de longo prazo para as empresas tem importante papel no estímulo ao investimento no país, que voltou para o patamar de 20% do PIB em 2022”.

    (Publicado por Fabricio Julião)