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    Mercadante defende “neoindustrualização” e fala que há “intimidação” ao desenvolvimento industrial no Brasil

    Presidente do BNDES sugeriu também que investimento em capital produtivo estaria sufocado pela alta taxa básica de juros da economia

    Gabriel Vasconcelos, do Estadão Conteúdo

    O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, voltou a defender políticas industriais e a redução da taxa básica de juros para impulsionar o que chamou de “neoindustrialização” do país, ao parafrasear o vice-presidente da República Geraldo Alckmin. Mas, segundo o presidente do BNDES, há no Brasil uma recorrente tentativa de intimidação a ações nesse sentido.

    “Precisamos de uma neoindustrialização. Acho que é forte a ideia de uma nova industrialização, que seja transformadora, digital e sustentável, que impulsione a descarbonização da economia”, disse ele.

    Mercadante fez as afirmações no seminário “Financiamento para o grande impulso para a Sustentabilidade”, organizado pelo BNDES em parceria com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e a Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES), da Alemanha.

    Intimidação

    Segundo Mercadante, enquanto os Estados Unidos e Europa tornaram “explícitos” seus esforços para proteger e desenvolver sua indústria, por meio de subsídios diretos, no Brasil haveria uma “tentativa recorrente de intimidação” a esse tipo de política.

    Além disso, sugeriu, o investimento em capital produtivo estaria sufocado pela alta taxa básica de juros da economia, a Selic. Em maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano pela sexta reunião seguida.

    “Precisamos de uma taxa de juros que seja competitiva no cenário internacional. Hoje temos a maior taxa de juros da economia mundial. Precisamos de mais flexibilidade”, reclamou Mercadante.

    O presidente do BNDES é um dos mais vocais sobre o tema no governo. “É só olhar o tamanho dos subsídios que Estados Unidos e União Europeia estão dando à sua indústria. É uma política explícita. E aqui temos uma tentativa recorrente de intimidar a política industrial”, continuou. “O BNDES não vai se intimidar, vai voltar a ser um banco industrializante”, disse.

    Mercadante afirmou que enquanto os EUA voltam a ser um Estado industrializador, com subsídios a setores estratégicos, como o automotivo, a Europa não fica atrás com esforços voltados a hidrogênio verde, microprocessadores e eletromobilidade.

    “Os Estados Unidos dão US$ 7 mil por carro elétrico fabricado. No Brasil, herdamos isenção fiscal para o carro importado. Qual é a chance de fazermos a transição da nossa indústria automotiva?”, questionou.

    Como já havia dito na última sexta-feira (2) Mercadante disse que o parque industrial de ônibus do país vai pelo mesmo caminho da míngua, quando é estratégico à geração de empregos. Para ele, é preciso dar fôlego ao setor automotivo, mas a partir de um olhar mais sustentável.

    Na semana passada, ele citou que o BNDES vai apoiar a fabricação de ônibus a gás e elétricos.

    O presidente do BNDES voltou a dizer que, no Brasil, a elite dirigente e boa parte do empresariado perderam a visão estruturante da economia que já tiveram no passado, o que levou a uma vertiginosa redução da participação da indústria no PIB.

    O processo de “neoindustrialização” do País, disse, passou e passa pelo BNDES. Nesse ponto, ele citou a fabricante de aviões Embraer, principal cliente do banco hoje, como um exemplo histórico de êxito da atuação da instituição.