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    Mercado diverge sobre queda da Selic e nova diretoria do BC é ponto de atenção, destacam economistas

    Analistas não entram num consenso do corte da taxa de juros e precificam uma diminuição de 0,25 p.p. e 0,5 p.p.; decisão do Copom será na quarta-feira (2)

    Novos integrantes na direção do BC, Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino Santos, são vistos com cautela por economistas
    Novos integrantes na direção do BC, Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino Santos, são vistos com cautela por economistas Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    O Comitê de Política Monetária (Copom) realiza a sua 256ª reunião entre terça (1º) e quarta (2) e, ao final do encontro, deve anunciar a nova taxa básica de juros, mantida em 13,75% ao ano desde agosto de 2022.

    O mercado acredita no início do ciclo de afrouxamento da política monetária, mas ainda se divide entre um corte entre de 0,25 ponto percentual (p.p.) e 0,50 p.p. da Selic.

    Os novos diretores do BC — os primeiros indicados no atual governo Lula — ajudam a aumentar essa incerteza, dizem analistas.

    Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino Santos foram nomeados no início de julho, em meio às constantes críticas do presidente da República na condução da política monetária e ao presidente do BC, Roberto Campos Neto.

    “Por conta disso, tem uma parte do mercado precificando esse corte de 0,5 p.p.. Então, se tiver integrantes do Copom de olho em uma queda de maior, junto com esses novos diretores, pode ser que o corte seja mais ousado”, diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

    Silvio Campos Neto, economista e sócio da Tendências Consultoria, ressalta que a composição da nova diretoria é um ponto de alerta, mas pontua que o efeito dessas trocas pode não ser sentido de imediato.

    “São dois novos diretores, com cargos mais técnicos, então, a princípio, não tem razões para causar nenhum tipo de mudança. Mas fica uma atenção voltada à direção de política monetária”.

    Campos Neto avalia que Gabriel Galípolo é um economista que já demonstrou que tem uma visão um pouco diferente, mais ortodoxo e de receituário mais padrão.

    Para Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez, a decisão de agosto será inédita na história da política monetária brasileira.

    Entre os pontos de atenção, o especialista destaca o potencial de divergência entre os diretores.

    Vale lembrar que o Copom é formado por oito diretores e o presidente do BC, e que todos os votos possuem o mesmo peso nas decisões.

    “Em relação a outros ciclos, aumenta a chance de uma decisão não-unânime, bem como o surgimento de discursos mais individuais dos diretores, sendo mais independentes e passando a compartilhar ideias e visões pessoais do cenário que não necessariamente refletem a opinião do Comitê como um todo”.

    Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez

    Segundo ele, o mercado e a sociedade terão que aprender a conviver com essa metamorfose do Banco Central.

    “Nossa expectativa é de corte de 0,50 p.p. com possível dissenso. O tom geral ainda deverá permanecer de cautela e a necessidade de se observar os dados com serenidade e paciência.”

    Comunicação pós-decisão

    Se existir uma sinalização explicita dos próximos passos da política monetária, Cunha acredita que, em particular, será a partir da reunião agendada para os dias 19 e 20 de setembro.

    “No mais, o tom geral ainda deverá permanecer o de cautela e a necessidade de se observar os dados com serenidade e paciência.”

    Beyruti, da Guide, acredita que o comitê vai reconhecer a melhora no cenário para a inflação, inclusive já deixando as portas abertas para ampliar o ritmo de corte dos juros na próxima reunião do colegiado.

    “Com relação ao cenário econômico, o ambiente internacional tem apresentado melhoras relevantes para o Copom, com destaque para a continuidade do processo desinflacionário, que tem aproximado o fim dos ciclos de aperto monetário nas economias centrais”, pondera.

    “No entanto, a maior resiliência dos núcleos inflacionários configura um risco para este movimento.”

    Campos Neto diz que uma mudança expressiva não será feita agora. Até o fim deste ano, o governo pode escolher mais dois nomes para a cúpula do BC, colocando uma expectativa no mercado sobre qual a visão econômica dos indicados.

    Apesar dessa mudança mais recente, o sócio da Tendências diz que o foco deve estar no fim do próximo ano, quando o presidente do BC já anunciou que vai deixar o cargo e um novo nome será apresentado pelo Executivo.

    “Em 2024, esse tema da transição da diretoria e da presidência do BC entrará mais numa divergência de mercado, podendo gerar algum ruído caso os indicados fiquem nessa mesma linha de uma visão mais distante do padrão ortodoxo que tem guiado as decisões dos últimos 20 anos”, explica.