Ibovespa cai, pressionado por Petrobras e turbulências no Fed; dólar sobe
Movimentações sobrepujaram prévia da inflação brasileira, que caiu pela primeira vez em dois anos

O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (26), conforme os investidores avaliavam a decisão do presidente dos Estados Unidos de demitir uma diretora do Fed (Federal Reserve).
O peso da decisão sobrepujou a deflação registrada pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), divulgado pelo IBGE nesta terça. A prévia da inflação caiu 0,14% em agosto, após ter avançado 0,33% no mês anterior. Esta é a primeira queda registrada em dois anos.
No final do pregão, o índice referência do mercado acionário brasileiro havia caído 0,18%, a 137.771,39 pontos.
Os papéis da Petrobras, segundo maior peso do Ibovespa, também puxaram o pregão para baixo, em meio ao declínio do petróleo. A queda foi de 0,51% para PETR3, 0,72% para PETR4.
Enquanto isso, o Banco do Brasil (BBAS3) avançou mais de 1%, em dia de trégua na pressão vendedora, atuando como um contrapeso positivo.
O dólar à vista, por sua vez, fechou em alta de 0,36%, a R$ 5,433.
Cenário externo
Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo a fraqueza da moeda norte-americana no exterior, com os mercados globais reagindo ao anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de que estava demitindo a diretora do banco central Lisa Cook por suposta declarações falsas em formulários de hipoteca.
Trump pediu que Cook renuncie em 20 de agosto, depois que o diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional dos EUA, William Pulte, acusou-a de reivindicar duas de suas hipotecas como residências principais. A diretora respondeu que o presidente não tem autoridade de demiti-la.
Diante da nova interferência de Trump nos assuntos da autoridade monetária, agentes financeiros optam por desmontar posições na divisa dos EUA, o que fortalece uma série de moedas ao redor do globo, como o real, o euro, o peso mexicano e o peso chileno.
Desde que Trump retornou à Casa Branca em janeiro, ele vem pressionando as autoridades do Fed a reduzirem a taxa de juros, o que ainda não fizeram neste ano, despertando nos mercados a preocupação de desgaste da independência do banco central.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,25%, a 98,227.
Cenário doméstico
Na cena doméstica, o destaque do dia era a divulgação dos dados do IPCA-15 de agosto, que registrou deflação pela primeira vez em dois anos. O índice teve queda de 0,14%, após avanço de 0,33% no mês anterior, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE.
Investidores têm analisado os números da inflação brasileira para determinar quando o Banco Central poderá reduzir a taxa Selic, atualmente em 15%, à medida que os membros da autarquia têm sinalizado que os juros permanecerão elevados por período bastante prolongado.
As atenções também continuam voltadas para o impasse comercial entre Brasil e EUA, com foco nas tentativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de negociar a tarifa de 50% imposta por Washington sobre produtos brasileiros.
Pela manhã, Lula realiza reunião ministerial no Palácio do Planalto para discutir uma série de temas.
*Com informações da Reuters


