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    Ibovespa encerra setembro com perdas de 6,57% e dólar sobe para R$ 5,44

    Índice da bolsa brasileira confirma nesta sessão o terceiro mês seguido no vermelho

    Dólar tem queda contra real antes de Ptax
    Dólar tem queda contra real antes de Ptax Reuters

    Cleber Souzado CNN Brasil Business*

    em São Paulo

    Principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3, o Ibovespa fechou em queda de 0,11%, aos 110.979 pontos, nesta quinta-feira (30). No acumulado do mês de setembro, encerrou com desvalorização de 6,57%.

    É o terceiro mês consecutivo de perdas do Ibovespa, que registrou alta de 6,54% no primeiro semestre e de 8,7% no segundo trimestre. No entanto, desde o início de julho, a desvalorização já chega a 12,48%.

    Enquanto isso, o dólar subiu 0,36%, cotado a R$ 5,449 após chegar a cair mais de 1% nas mínimas do dia. É o nível mais alto desde 27 de abril (R$ 5,4625).

    A moeda engatou o sétimo pregão de ganhos, já perto de igualar a sequência de oito altas ocorridas entre o fim de junho e início de julho.

    Em setembro, o dólar avançou 5,36% — maior valorização desde janeiro passado (+5,53%) e a mais forte para o mês desde 2015 (+9,33%).

    No terceiro trimestre, a moeda saltou 9,51%. É a mais intensa apreciação desde os três meses findos em março de 2020 (+29,44%), quando a pandemia de Covid-19 chacoalhou pela primeira vez os mercados globais.

    Para o período de julho a setembro, a alta deste ano foi a mais veemente desde 2015 (+27,55%). No acumulado de 2021, o dólar subiu 4,97%.

    Para especialistas em mercado financeiro, o comportamento do índice ilustrou o horizonte dos investidores para os próximos meses, com correção nas ações de empresas de alto crescimento, mais atingidas pelo ciclo de aperto monetário no Brasil e no mundo, e recuperação em setores de commodities.

    Para o analista da Toro Investimentos João Vitor Freitas, além da alta do juro pelo mundo para conter a inflação, afetando a atividade econômica ainda frágil, os negócios no médio prazo ainda devem refletir o temor com crises de energia na China e na Europa, e o fim do programa de compra de títulos nos Estados Unidos.

    “No caso do Brasil, há ainda ruído em relação ao quadro fiscal”, disse Freitas. Economistas têm citado o risco crescente de que o governo Bolsonaro adote medidas populistas à medida que o país se aproxima das eleições presidenciais em 2022.

    Nesse contexto, o BTG Pactual citou em nota que o ciclo de alta de juro pode fazer o fluxo de recursos novos para ações no país cair a um nível mais baixo do que se tem visto desde 2016.

    O sentimento predominantemente negativo se mostrou nesta sessão, uma vez que dados de desemprego melhores do que o esperado no Brasil referentes a julho foram insuficientes para sustentar o índice no azul. Ações ligadas a consumo e ao setor imobiliário estiveram entre os destaques de baixa.

    Os mercados de ações da China tiveram alta, já que a atividade industrial mais fraca que a esperada em setembro elevou expectativas de flexibilização da política monetária, enquanto setores que são grandes consumidores de energia reagiram após Pequim intensificar esforços para conter temores de escassez de eletricidade.

    Os índices das bolsas europeias também apontavam para cima, assim como os indicadores de Wall Street, onde investidores acompanharam a votação do Senado dos Estados Unidos, para estender o financiamento do governo até 3 de dezembro, enviando o pacote para a Câmara, antes de chegar para sanção do presidente Joe Biden.

    Em Wall Street, o Dow Jones caiu 1,62%, para 33.834,24 pontos; o S&P 500 teve queda de 1,22%, para 4.306,24 pontos, e o Nasdaq Composite caiu 0,47%, para 14.444,30 pontos.

    No plano doméstico, o foco era a notícia de que a taxa de desemprego recuou de 14,1% no 2º trimestre para 13,7% no trimestre móvel até julho, dado melhor do que a expectativa, o que dava alívio para ações de empresas ligadas a consumo, que vinham em forte queda recente.

    Com Reuters*