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    Dólar sobe e fecha a R$ 5,11, com Fed no radar; Ibovespa tem leve alta de 0,04%

    Moeda norte-americana valorizou 0,23%, enquanto o principal índice da B3 encerrou a sessão aos 112.897,84 pontos

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business*

    em São Paulo

    O dólar fechou em alta de 0,23%, cotado a R$ 5,110, nesta quarta-feira (24), alternando entre perdas e ganhos em uma sessão volátil.

    O real chegou a ser beneficiado pela entrada de investimentos estrangeiros, mas reverteu o movimento com a aversão a riscos entre os investidores, que aguardam novos dados e falas de Jerome Powell, comandante do banco central norte-americano, que podem mudar as apostas quanto ao ciclo de alta de juros nos Estados Unidos.

    “Ele (dirigente do Fed) teria de ser muito ‘hawkish’, muito duro para o mercado piorar ainda mais. O mercado já colocou bastante no preço nos últimos dias”, disse Marcos Weigt, chefe de tesouraria do Travelex Bank.

    A reação de preço ocorreu um dia após a divisa norte-americana cair de forma generalizada, na esteira de indicadores mais fracos nos Estados Unidos que reavivaram esperanças de que o Federal Reserve seja menos duro nas próximas sinalizações de política monetária.

    Já o Ibovespa teve leve alta de 0,04%, aos 112.897,84 pontos, neste pregão, após rondar a estabilidade ao longo do dia. O índice foi apoiado principalmente pelo avanço da Petrobras, em sessão de alta do petróleo no exterior, enquanto novo dado de deflação no Brasil beneficiou ações de consumo.

    No radar do mercado também estava o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de agosto, que eve a maior deflação da série histórica, confirmando apostas de que o ciclo de alta de juros brasileiro pode ter chegado ao fim – um cenário mais benéfico para os ativos domésticos.

    O foco dos investidores nesta semana também é a divulgação de novos dados da inflação norte-americana que podem dar pistas sobre os próximos passos do ciclo de alta de juros no país, assim como um discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

    Os dirigentes do Fed já indicaram que as próximas elevações de juros serão feitas dependendo dos dados que forem divulgados entre cada reunião, com isso reforçando o peso de indicadores no comportamento e apostas do mercado.

    Na terça-feira (23), o dólar teve queda de 1,26%, a R$ 5,098. Já o Ibovespa avançou 2,13%, aos 112.857,10 pontos.

    Petróleo

    Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta, nesta quarta-feira. Houve certa volatilidade no dia, com o dado de estoques na semana dos Estados Unidos, a movimentação do dólar e também o noticiário sobre as negociações entre potências e o Irã pelo programa nuclear de Teerã no foco dos investidores.

    O petróleo WTI para outubro fechou em alta de 1,23% (US$ 1,15), em US$ 94,89 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para o mesmo mês avançou 1,00% (US$ 1,00), a US$ 101,22 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

    Os contratos começaram o dia com ganhos, apoiados pelo recuo nos estoques apontado pelo American Petroleum Institute (API) no fim da terça-feira. A valorização do dólar, porém, deixava esses ganhos contidos, já que nesse caso o petróleo, cotado na moeda americana, fica mais caro para os detentores de outras divisas.

    No fim da manhã, o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) informou que os estoques de petróleo dos EUA tiveram baixa de 3,282 milhões de barris, ante previsão dos analistas de recuo de 500 mil. Após o dado, o petróleo perdeu mais fôlego e chegou a recuar.

    Sentimento global

    A aversão global a riscos dos investidores, desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, tem variado de intensidade dependendo das expectativas sobre o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos.

    O processo de elevação da taxa norte-americana continuou em julho com uma nova alta de 0,75 ponto percentual. Entretanto, o Federal Reserve sinalizou que poderia realizar altas menores conforme a economia do país já dá sinais de desaceleração, buscando evitar uma recessão.

    Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

    Os investidores monitoram ainda a situação da economia da China, que também dá sinais de desaceleração ligados a uma série de lockdowns em cidades relevantes. A expectativa é que o governo chinês intensifique um esforço para estimular a economia, enquanto enfrenta dificuldades para reverter um quadro de baixo consumo pela população, que impacta a demanda do país por commodities.

    No cenário doméstico, a PEC dos Benefícios, que cria ou expande benefícios sociais com custo estimado em R$ 41 bilhões, foi mal recebida pelo mercado, já que reforça o risco fiscal ao trazer novos gastos acima do teto.

    Mesmo assim, o Ibovespa e o real encontraram espaço para recuperação com uma melhora de humor do mercado, ainda podendo ser prejudicados caso haja uma retomada do pessimismo.

    Sobe e desce da B3

    Veja os principais destaques do pregão desta quarta-feira:

    Maiores altas

    • CVC (CVCB3) +11,28%;
    • Magazine Luiza (MGLU3) +8,43%;
    • Grupo Natura (NTCO3) +8,33%;
    • Positivo (POSI3) +8,09%;
    • Minerva (BEEF3) +5,65%

    Maiores baixas

    • IRB Brasil (IRBR3) -5,19%;
    • Usiminas (USIM5) -3,60%;
    • Suzano (SUZB3) -3,23%;
    • Vale (VALE3) -3,22%;
    • Locaweb (LWSA3) -2,80%

    *Com informações da Reuters e da Agência Estado