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    Dólar encosta em R$ 5 com real liderando perdas; Ibovespa fecha em queda de 2,23%

    Índice da B3 registra 7ª baixa seguida, maior sequência de perdas em quase seis anos

    Reuters*

    O dólar fechou em alta de 2,32% nesta terça-feira (26), a R$ 4,989. Este é o maior valor desde 18 de março deste ano, última vez que ficou acima dos R$ 5 (R$ 5,01). Já o Ibovespa encerrou novamente em baixa, de 2,23%, aos 108.212,86 pontos. Com a sessão de hoje, o principal índice da bolsa brasileira acumula sete quedas diárias seguidas, a maior sequência de baixas desde maio de 2016.

    Ao longo do dia a moeda norte-americana chegou a superar a marca de R$ 5, com a divisa brasileira liderando com folga as perdas entre as principais divisas globais na sessão, mesmo depois de o Banco Central anunciar leilão extraordinário de swaps cambiais.

    O pico de alta foi de 2,53%, às 11h45 (horário de Brasília), momento em que veio a informação de que o BC realizaria, entre 12h20 e 12h30 desta terça-feira, leilão de até 10 mil contratos de swap cambial tradicional.

    Foram vendidos na operação, primeira do tipo desde o leilão realizado em 22 de dezembro de 2021, todos os US$ 500 milhões ofertados na forma de contratos de swap cambial tradicional.

    A moeda desacelerou a alta logo após o anúncio do leilão, chegando a baixar para R$ 4,968 na venda às 11h46 (alta de 1,88%), antes de recobrar algum fôlego.

    Por volta das 16h10, o dólar à vista avançava 2,1%, a R$ 4,978 na venda.

    No mesmo horário, o Ibovespa caía 1,97%, aos 108.504,31 pontos, à medida que as perdas de ações do setor bancário doméstico, após balanço do Santander Brasil, somava-se a efeito de sessão de baixa em Wall Street.

    A reação negativa aos resultados de Santander Brasil, que abriu a temporada de balanços para os grandes bancos locais, contaminava outros papéis do setor, incluindo de Itaú Unibanco e Bradesco, o que ajudava a derrubar o índice. Empresas de energia elétrica estavam entre os destaques positivos na ponta oposta.

    Dia de ampla valorização do dólar

    O dia foi de ampla valorização do dólar, cujo índice frente a uma cesta de rivais fortes subia cerca de 0,45%, rondando máximas em dois anos em meio a temores sobre intensificação do aperto monetário nos Estados Unidos e à perspectiva de desaceleração econômica na China.

    Divisas emergentes pares do real, como pesos mexicano, chileno e colombiano, também operaram no vermelho, embora com quedas em ritmos bem mais comportados.

    Além do exterior avesso ao risco, alguns investidores apontam o ambiente político doméstico desconfortável como fator adicional de cautela.

    A disparada do dólar no mercado local vem depois de a moeda já ter saltado 5,59% no acumulado dos dois últimos pregões, a mais forte valorização em dois dias desde 18 de maio de 2017 (+9,48%), quando os mercados derreteram após delação de Joesley Batista, um dos sócios da JBS.

    Quando tocou os R$ 5, no pico da sessão, o dólar superou esse importante patamar psicológico pela primeira vez desde 21 de março passado, ficando 8,5% acima da cotação de fechamento de R$ 4,6075 registrada em 4 de abril –mínima desde março de 2020.

    Influência externa

    “O fator maior (de influência) está vindo de fora”, diz Luciano Costa, economista e sócio da Monte Bravo Investimentos, citando os temores de desaceleração econômica global que vêm atingindo os mercados tanto por causa da perspectiva de altas de juros mais agressivas nos Estados Unidos quanto pelas medidas de contenção à Covid-19 na China.

    Camila Abdelmalack, economista na Veedha Investimentos, observa também que o impacto na econonomia chinesa afeta as commodities “e com isso há também uma retirada (de recursos) de investidor estrangeiro nesses últimos tempos”, “que vem trazendo a bolsa abaixo do patamar dos 110 mil pontos”.

    Os principais índices de Wall Street caíam entre 1,3% e 2,7%, com manutenção do foco em perspectiva de aperto mais agressivo da política monetária norte-americana e nos efeitos econômicos das restrições na China contra Covid-19. O mercado aguarda por algum suporte de resultados de grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Alphabet e Microsoft, a serem divulgados após o fechamento do mercado.

    Na cena local, o boletim Focus voltou a ser publicado depois de um hiato de quase um mês, e apontou para projeção de Selic por economistas de 13,25% no final do ano, ante expectativa de 13,05% na semana anterior e 13,00% há quatro semanas.

    Destaques:

    – SANTANDER BRASIL UNIT caía 4%, após registrar lucro líquido de 4,005 bilhões de reais no primeiro trimestre, em linha com as expectativas do mercado. Provisões aumentaram na comparação mensal e anual e os resultados reforçaram a visão de margem financeira líquida sequencialmente menor. A qualidade dos ativos veio pior do que o esperado, escreveram analistas do Credit Suisse. BRADESCO PN recuava 4,1%, ITAÚ UNIBANCO PN perdia 3,2% e BANCO DO BRASIL ON cedia 2,2%.

    – VALE ON reduzia 0,2%, após os contratos futuros do minério de ferro em Dalian caírem 2,5%. Os futuros de níquel em Xangai retraíram 6,8%. CSN ON diminuía 3,8% e liderava queda entre siderúrgicas. Um incêndio atingiu um galpão da empresa em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, mas não houve feridos ou impacto na produção.

    – PETROBRAS PN caía 0,1% e ON operava estável, mesmo diante de alta leve do petróleo com o mercado pesando temores com oferta na Rússia e demanda na China. 3R PETROLEUM ON desvalorizava-se 0,9%, enquanto PETRORIO ON tinha ganhos de 1,8%.

    – TIM ON avançava 0,9%, estendendo ganhos da véspera após divulgar detalhes, incluindo de sinergias, da transação com a Oi Móvel.

    – ENERGISA UNIT tinha alta de 1%. A empresa apresentou dados operacionais de março na noite da véspera. Companhias de energia elétrica apontavam desempenho positivo no geral, com destaque para EQUATORIAL ON, que subia 1,1%.

    – ULTRAPAR ON mostrava decréscimo de 4%, em dia de apresentação da companhia a analistas e investidores.