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    Ibovespa cai com temor de recessão global; dólar bate maior patamar em 2 meses

    Investidores continuam a temer possível recessão global, enquanto a aproximação do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil colabora para a cautela

    Reuters*

    O Ibovespa reduziu perdas de mais cedo na tarde desta quinta-feira, fechando em queda de 0,73%, aos 107.664 pontos. O principal índice da bolsa teve ajuda das ações de bancos, enquanto principais índices em Wall Street e na Europa marcaram forte queda diária diante dos temores de recessão econômica.

    Na mínima do dia, o índice cedeu a 106.243,52 pontos e, na máxima, foi a 108.448,54 pontos.

    O dólar terminou o dia em alta e no maior patamar de encerramento em dois meses nesta quinta-feira, mais do que devolvendo a queda da véspera, com as negociações domésticas novamente contaminadas pelo clima arisco no exterior, ainda por temores de recessão em meio ao aperto global da política monetária.

    A três dias do primeiro turno das eleições no Brasil, o dólar no mercado interbancário fechou em alta de 0,83%, a R$ 5,3937, maior valor desde 22 de julho (R$ 5,4976).

    A cotação operou todo o dia em campo positivo, variando de R$ 5,3741 (0,47%) a R$ 5,4306 (1,52%).

    Na véspera, o dólar negociado no mercado interbancário fechou em queda de 0,52%, a R$ 5,349 na venda.

    Crise no Reino Unido

    Os mercados globais abriram esta quinta-feira (29) em queda devido ao colapso dos ativos britânicos, com novos episódios da crise do Reino Unido. No dia anterior, o Banco da Inglaterra anunciou um programa de compra de títulos diários de 5 bilhões de libras.

    A expectativa que é o Banco Central do Reino Unido compre títulos diariamente até 14 de outubro, o que resultaria em um montante de 61 bilhões de títulos.

    A intervenção ocorre em meio à crise iniciada após o governo ter revelado um pacote de corte de impostos – o maior em meio século no país – por meio do aumento do endividamento, o que gerou uma desconfiança e influenciou a queda dos ativos devido à percepção de risco.

    Apesar de a libra e o mercado terem sido ajudados no dia anterior pela divulgação do plano para a crise britânica, a moeda e os ativos voltaram a cair em meio às incertezas e à aversão a risco. Segundo analistas, a percepção é que o Banco da Inglaterra conseguiu estancar a sangria pontualmente, mas ainda não conseguiu contornar a raiz do problema.

    Sentimento global

    A aversão a risco fez os principais índices do mercado encerrarem as últimas semanas em queda. Ela é explicada pelo temor global de recessão, que apesar de ter tido uma arrefecida nesta quarta-feira, vem sendo alimentado após os sucessivos aumentos de juros pelos bancos centrais do mundo.

    Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa de juros em 0,75 ponto percentual na semana passada. Com isso, ela passa do intervalo de 2,25% a 2,5% ao ano para 3% a 3,25%.

    É a quinta alta consecutiva implementada pela autarquia desde o início do ciclo, em março deste ano. Antes disso, os juros estavam no intervalo entre 0% e 0,25%. Os aumentos também são os primeiros desde 2018.

    As taxas de juros também subiram na semana anterior no Reino Unido, Suécia, Suíça e Noruega, entre outros lugares.

    O Brasil, por outro lado, teve sua taxa básica de juros inalterada pela primeira vez desde março de 2021, encerrando assim o ciclo de altas do maior aperto monetário da história, que teve início quando a Selic estava em sua mínima histórica, em 2% ao ano.

    O aumento dos juros no mundo para tentar conter a inflação gera um processo de contração da economia, o que pode levar a uma recessão. O comunicado do Fed de continuar com sua política monetária mais “hawkish” serviu como alerta para os investidores globais, que passam a procurar ativos mais seguros.

    Com os juros maiores nos Estados Unidos, mais investidores tendem a preferir a renda fixa do país vista como um “porto-seguro” dos investimentos. A alta dos juros também favorece o dólar, apesar de prejudicar os mercados e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

    *Com CNN Brasil Business