Bolsa cai pela 11ª sessão com cenário de crédito no radar; dólar sobe

Em dia de agenda esvaziada, o Ibovespa segue fragilizado pela recente saída de capital estrangeiro

Beatriz Oliveira, João Nakamura e Manuela Miniguini, da CNN Brasil, Maria Julia Blanes, da CNN Brasil*, em São Paulo
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O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (18) pela 11ª sessão consecutiva. Mais cedo, o principal índice da bolsa chegou a arriscar uma recuperação e atingiu os 168 mil pontos, mas não resistiu e terminou o dia em baixa de 0,22%, aos 166.409,56 pontos.

Essa é a mais longa sequência de perdas desde agosto de 2023, quando o índice acumulou 13 dias de queda. No mês, o índice acumula queda de 6,51%.

Os bancos exerceram as principais pressões negativas, diante das preocupações com o cenário de crédito no país. Na contramão, a Petrobras ajudou a limitar as perdas, mesmo com o enfraquecimento da alta do petróleo.

A bolsa paulista permanece fragilizada pela recente saída de capital estrangeiro. Em agosto, até o dia 14, já deixaram a bolsa R$ 18,14 bilhões, segundo dados da B3. As incertezas em torno do ciclo eleitoral de 2026, a perspectiva de juros elevados por um período prolongado e os sinais de desaceleração da atividade econômica explicam esse movimento negativo.

"Chegamos a ter ali um movimento de arrancada que poderia estimular uma correção da queda para a alta, mas todas as notícias são amplamente negativas. Com isso, não temos a menor possibilidade, pelo menos no momento, de retomarmos o fluxo e as altas aqui na bolsa brasileira", avaliou o especialista em investimentos do grupo Axia Investing, Felipe Sant'Anna.

O mercado também acompanhou o andamento das PECs da segurança e do fim da jornada 6x1, além do projeto de lei que cria uma política de minerais críticos. Os respectivos despachos foram assinados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

“Se você olha as empresas mais impactadas pelo fim da PEC 6x1, você vê que elas já caíram bastante ao longo do ano, não só por causa da tramitação na Câmara, que já aconteceu no passado, mas também por conta do cenário de juros altos, que tem feito um estrago muito grande nessas empresas”, afirmou o economista-chefe da Nomos, Beto Saadia, ao CNN Money.

O especialista destacou ainda que o setor de varejo - em especial empresas como Grupo Soma, Ser Educacional, as farmácias, Hypera, Pague Menos, RD e Renner - é o mais impactado.

Embora seja uma má notícia para boa parte das empresas, o avanço do projeto que acaba com a escala 6x1 tem um aspecto positivo, na visão dos especialistas: o aumento da governabilidade. No médio prazo, isso pode significar a retomada do controle da pauta do Congresso e, com ela, a possibilidade de evitar pautas-bomba.

Mercados globais

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em baixa nesta terça-feira (18). Liderando as perdas, o índice japonês Nikkei recuou 2,54% em Tóquio, enquanto o Kospi caiu 1,55% na Coreia do Sul.

O Taiex cedeu 1,20% em Taiwan, e o Hang Seng teve ligeira alta de 0,07% em Hong Kong.

Na China continental, o desempenho foi misto: o Xangai Composto subiu 0,19%, mas o Shenzhen Composto, menos abrangente, recuou 0,45%, a 2.635,34 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou levemente no vermelho, com baixa de 0,04% do S&P/ASX 200 em Sydney. A mineradora BHP, porém, saltou 2,7% após divulgar balanço melhor do que o esperado.

As bolsas europeias recuaram majoritariamente neste pregão, enquanto o impasse entre EUA e Irã aumentava as preocupações inflacionárias e as ações ligadas à tecnologia tinham queda robusta.

Já os principais índices de Wall Street ampliaram as perdas, com o apetite por risco limitado pelos patamares historicamente elevados dos mercados, diante das preocupações com os gastos do governo norte-americano em meio ao impasse sobre o conflito no Oriente Médio.

O Dow Jones caiu 0,22%, aos 53.343,58,02 pontos. O S&P 500 fechou em baixa de 0,69%, a 7.691,90 pontos, e o Nasdaq recuou 1,33%, encerrando aos 26.289,71 pontos.

Com informações da Reuters

*Sob supervisão de Pedro Zanatta

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