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    Nível de apostas de baixa na bolsa brasileira é o maior da história, diz economista

    Desdobramentos do cenário político fez a média relativa de short na B3 ser o maior já registrado até hoje

    Diego Mendesdo CNN Brasil Business

    São Paulo

    Investir em posições vendidas na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, nunca esteve em patamar tão alto na sua história. Posições vendidas é quando investidores apostam na queda das ações. Hoje elas representam 3,25% do valor total da Bolsa, ou R$ 130 bilhões, de acordo o sócio fundador e analista da Encore Asset, João Luiz Braga.

    O total de “short” na Bolsa de Valores, dividido pelo valor de mercado das empresas, está no ponto mais alto já registrado, diz Braga.

    Em seu diagnóstico, o economista levou em conta o tamanho da posição vendida em reais (R$) — de todas as empresas listadas — e compara com o valor de mercado das posições. Esse balanço é a média relativa.

    “Essa posição short relativo da bolsa está no maior nível registrado. Ou seja, nunca na história os investidores brasileiros estiveram tão vendidos na bolsa, em relação ao seu valor”, avalia.

    Segundo dados da Bloomberg, hoje se tem aproximadamente 3,25% do valor total da Bolsa vendida. Em 2018, esse número chegou a 1,6%. “Atualmente, a Bolsa vale cerca de R$ 4 trilhões. Então, se tem R$ 130 bilhões em posições vendidas na B3”, explica Braga.

    Porém, Braga diz que o valor nominal não é o que importa nesta análise. “O que deve ser destacado é que a Bolsa está na maior posição vendida da história”.

    Cenário inédito

    Referente a essa disparada no nível de posições vendidas, Braga atribui uma fatia aos fundos multimercados. Segundo ele, esse ativo vem crescendo ao logo dos anos. “Esse tipo de fundo realiza posição short. Parte desta alta se deve a criação de novos multimercados, o que antes não existiam”.

    Braga diz que a Bolsa virou mais um veículo para os diversos fundos colocarem suas visões em prática, dado que ganhou liquidez e novas opções de ações nos últimos 15 anos. “Várias pessoas achando tudo ruim ao mesmo tempo, pode levar o posicionamento do mercado a uma situação bem incômoda. Qualquer notícia boa, por menor que seja, leva a uma corrida de quem consegue diminuir o short primeiro, dado que está todo mundo na mesma ponta”, ressalta.

    Nesta terça-feira (20), o mercado se animou com a possibilidade de a PEC do Estouro ter o prazo de um ano. Fernando Haddad, futuro ministro da Fazenda, discutiu os termos da proposta e as exigências de algumas bancadas para aprovar o texto.

    Nessa perspectiva, o dólar fechou em forte queda de 1,97%, cotado a R$ 5,205 na venda. Enquanto isso, o Ibovespa operava em alta de 2% por volta das 17h15, aos 106.892 pontos.

    Futuro na Bolsa

    Entretanto, Braga afirma que é muito cedo para dizer que isso já é uma tendência, mas, diz ele, é o que veremos por um bom tempo. “É hora de tentar aproveitar uma oportunidade aqui ou ali, mas seguimos com a cabeça de ter uma carteira equilibrada (…), defensiva, barata e com bastante retorno esperado”.

    O segredo, de acordo com o economista, é alongar o prazo de análise e investimento. “Tem muito papel que, mesmo colocando um cenário bem negativo, é bem barato se olhar 2024”, aposta.

    O economista afirma que tem muita gente operando esses ativos para o curto prazo, mas isso pode deixar o mercado mais volátil e dar oportunidade para quem alongar o prazo.

    Para concluir, Braga alerta que há muitos ativos barato para aproveitar.