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    Pesquisa mostra maior consumo de biscoitos e refrigerantes pelos brasileiros

    Cenário econômico é um dos fatores apontados pela empresa Horus, responsável pelo levantamento, pelo aumento na procura por produtos industrializados

    Assim como os biscoitos, os refrigerantes tiveram aumento no consumo em todas as faixas de renda
    Assim como os biscoitos, os refrigerantes tiveram aumento no consumo em todas as faixas de renda Getty Images

    Vitória Oliveirada CNN*

    no Rio de Janeiro

    Uma pesquisa mostra que o consumo de biscoitos e refrigerantes cresceu no Brasil no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2021. Os dados são da Horus, empresa de inteligência de mercado, com base em uma análise de 40 milhões de notas fiscais emitidas por estabelecimentos do país.

    A incidência – a proporção de notas fiscais com o item – de biscoitos subiu em todas as faixas de renda. Entre janeiro e junho deste ano, nas classes A e B, as bolachas estiveram presentes em 20,4% dos carrinhos, contra 16,9% no primeiro semestre de 2021. Na classe C, a incidência saltou de 19,2% para 22,4% em um ano. O aumento foi ainda maior nas classes D e E – de 22,7% para 26,4%.

    A média de itens comprados e o ticket médio (gasto com o produto) também cresceram nos três grupos, especialmente entre as classes C e D, com alta de 10% e 27,2% nessas categorias, respectivamente.

    À CNN Brasil, Luiza Zacharias, diretora da Horus, avalia que a situação econômica do país é uma das causas para o resultado. “Em um cenário de alta de preços em diversas categorias e de restrições orçamentárias para o consumidor, o biscoito se apresenta como um item associado à indulgência, como uma forma de compensar as dificuldades do cenário atual”, apontou.

    Assim como os biscoitos, os refrigerantes tiveram aumento no consumo em todas as faixas de renda. No caso da incidência, o crescimento mais expressivo foi observado na classe A, que passou de 15,7%, no primeiro semestre do ano passado, para 18,2% no mesmo período deste ano (+2,6 p.p.). Em relação à média de itens e do ticket médio, as classes C e D foram destaque, com uma alta de 22,3% e 32,5%, respectivamente.

    Para Luiza, o resultado dos produtos industrializados também foi obtido por conta da volta da rotina dos brasileiros após o período de isolamento social e do aumento nos preços dos alimentos in natura.

    “O aumento de preços atingiu, no primeiro semestre deste ano, muitos produtos de hortifruti: legumes, em especial batata, cenoura e tomate, frutas e verduras, itens básicos que normalmente estavam presentes na mesa do brasileiro. Por conta disso, houve uma redução no consumo desses produtos in natura, que pode ser atribuído a dois fatores: o primeiro é a inflação. O segundo fator é a volta à normalidade, pós-pandemia, reduzindo as refeições em casa”, destacou.

    A pesquisa da Horus também avaliou o movimento de consumo da principal dupla no prato dos brasileiros: o arroz e feijão. O arroz apresentou maior incidência no primeiro semestre de 2022 em todas as classes sociais quando comparada com o primeiro semestre de 2021. Por outro lado, o ticket médio caiu nesse mesmo período. Já a média de itens apresentou queda de -3,5% nas classes D e E.

    Segundo Luiza Zacharias, o levantamento mostra o aumento na procura por produtos com embalagens maiores. “Por exemplo, ao invés de levar vários pacotes de 1kg, prefere comprar um pacote de 5kg, onde o preço unitário por quilo é menor. Assim, economiza e se abastece, se protegendo contra eventuais aumentos de preço”, relatou a diretora da Horus.

    O feijão também apresentou alta na incidência no primeiro semestre de 2022 em todas as classes. Entretanto, no preço médio (valor médio do produto), foi apontada uma queda nos três grupos sociais analisados. A maior se deu na classe C, com -14,7% no comparativo do primeiro semestre de 2022 com 2021.

    *sob supervisão de Pauline Almeida