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    Petrobras pode elevar investimentos em até 10%, para cerca de R$ 421 bi, diz diretor financeiro

    Possível aumento no plano considera cálculos atuais de ajustes inflacionários de cerca de US$ 4 bilhões, que levariam por si só o total de investimentos em cinco anos para ao menos US$ 82 bilhões

    Provável entrada de projetos de baixo carbono adicionaria boa parte do crescimento dos aportes para o patamar de US$ 86 bilhões, versus os US$ 78 bilhões do plano atual (2023-2027)
    Provável entrada de projetos de baixo carbono adicionaria boa parte do crescimento dos aportes para o patamar de US$ 86 bilhões, versus os US$ 78 bilhões do plano atual (2023-2027) 16/10/2019REUTERS/Sergio Moraes

    Por Marta Nogueira, da Reuters

    A Petrobras poderá elevar em até cerca de 10% os investimentos previstos no próximo Plano Estratégico para o período de 2024 a 2028, ante o planejamento anterior (2023-2027), para aproximadamente US$ 86 bilhões (cerca de R$ 421 bilhões), disse à Reuters nesta segunda-feira (7) o diretor executivo Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Sergio Caetano Leite.

    O possível aumento no plano, que ainda está em estudo e elaboração e será publicado apenas no fim do ano, considera cálculos atuais de ajustes inflacionários de cerca de US$ 4 bilhões, que levariam por si só o total de investimentos em cinco anos para ao menos US$ 82 bilhões.

    A provável entrada de projetos de baixo carbono, que ainda passarão por aprovação, adicionaria boa parte do crescimento dos aportes para o patamar de US$ 86 bilhões, versus os US$ 78 bilhões do plano atual (2023-2027).

    “Vamos ajustar a inflação e sinalizar um valor maior de investimento contando com essa correção, mas tem realmente mais dinheiro no investimento”, disse Leite, em uma entrevista por videoconferência.

    “Se os projetos de baixo carbono se revelarem economicamente vantajosos, se forem lucrativos e tecnicamente aplicáveis, a gente pode chegar a um investimento que dos US$ 82 bilhões (só considerando a correção da inflação) nos leve aos 86 (bilhões)”, afirmou.

    Ele não detalhou quais projetos seriam estes, mas poderiam ser na área de energias renováveis e em descarbonização das operações, em linha com o indicado pela gestão da empresa.

    Em uma visão mais conservadora, o executivo admitiu avanços para US$ 84 bilhões a US$ 83 bilhões, incluindo inflação e projetos de baixo carbono.

    Em junho, a petroleira informou que decidiu aportar em projetos de baixo carbono entre 6% e 15% do investimento total de seu Plano Estratégico 2024-2028, contra 6% no planejamento quinquenal atual.

    A faixa percentual será ainda confirmada no detalhamento da carteira de projetos que será levada à aprovação final juntamente ao novo plano em novembro.

    O detalhamento dos números que poderão ser investidos não foi ainda reportado. Em entrevista anterior à Reuters, o CEO da Petrobras, Jean Paul Prates, havia afirmado que os investimentos do próximo plano seriam semelhantes ao atual.

    Leite ponderou que, ao longo do ano, o planejamento estratégico da petroleira vai passando por discussões, ajustes, ganhando maturidade. “Tudo que estamos falando ainda está em estudo”, pontuou.

    Mesmo com a elevação de investimentos, o executivo disse que a empresa considera manter o intervalo de referência para a dívida bruta entre US$ 50 bilhões e US$ 65 bilhões.

    A dívida bruta da empresa encerrou o segundo trimestre em quase US$ 58 bilhões, alta de 8,7% em comparação com o primeiro trimestre principalmente em função do aumento dos arrendamentos no período com a entrada em operação de FPSOs afretados.

    O diretor afirmou que a alavancagem está sob controle, e que o plano de negócios da empresa prevê que investimentos serão feitos com geração de caixa próprio, de forma orgânica.

    “Tem espaço de alavancagem de até US$ 65 bilhões, mas a gente não gostaria de usar todo o espaço”, disse Leite, ressaltando ainda que a dívida financeira caiu US$ 608 milhões no segundo trimestre, em comparação com 31 de março, a US$ 29,2 bilhões.

    O plano de negócios da empresa diz que o crescimento da empresa é autofinanciável.

    A Petrobras “gera bastante caixa, então a gente vai continuar usando parte do caixa para investir. Temos muito cuidado com o endividamento da empresa, a gente não quer endividar a Petrobras além do razoável, não é esse o objetivo”, afirmou.

    O CFO reiterou ainda que a empresa deverá tirar proveito de parcerias para entrar em determinados segmentos, além de considerar aquisições e desinvestimentos, a partir de uma análise constante do portfólio.

    Valorização de mercado

    A atual gestão da Petrobras assumiu a companhia neste ano com a missão de prepará-la para o futuro, com um olhar de mais longo prazo, incluindo planos de transição energética, com diversificação de portfólio, além de estudar novos investimentos em refino, fertilizantes, petroquímica, dentre outros.

    O direcionamento mostra grande mudança em relação às gestões dos últimos anos, que focaram em exploração e produção de petróleo em áreas de grande retorno financeiro, ao mesmo tempo em que realizaram bilionários desinvestimentos em outros segmentos.

    O diretor ressaltou que a nova gestão da Petrobras “ainda continua sofrendo com muitos boatos” inclusive de intervenção governamental, mas que esses riscos vêm sendo eliminados.

    Prova disso, segundo ele, é a alta do valor de mercado da companhia. As ações preferenciais acumulam ganhos de cerca de 47%.

    “É bem provável que a gente entregue uma empresa no fim do ano mais valiosa em termos de valor de mercado e preparada para o futuro… olhando a transição de uma forma diferente, voltando a investir em áreas que na estratégia anterior não estavam sendo contempladas, uma empresa mais forte, mais resiliente para o futuro e com certeza com mais valor”, afirmou.

    O lucro líquido da Petrobras recuou 47% no segundo trimestre ante o mesmo período do ano passado, para 28,8 bilhões de reais, em meio a uma queda dos preços do petróleo no mercado internacional e dos combustíveis no Brasil.

    Leite ponderou que o desempenho da companhia, na comparação com seus pares globais, foi um dos que menos caiu.

    A gigante Exxon Mobil teve uma queda de 56% no lucro do segundo trimestre, juntando-se às rivais prejudicadas por uma queda acentuada nos preços e menores margens de combustíveis.

    Chevron, Shell e TotalEnergies relataram quedas nos resultados de 48%, 56% e 49%, respectivamente.