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    Petrobras reduz preço da gasolina pela 1ª vez desde dezembro de 2021; veja histórico

    Estatal determina valores levando em conta fatores como preço internacional do petróleo e câmbio

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    A Petrobras anunciou nesta terça-feira (19) a primeira redução no valor da gasolina cobrado para distribuidoras desde dezembro de 2021. Segundo a estatal, a queda é de R$ 0,20, ou cerca de 4,93%.

    Com isso, o preço médio de venda do combustível passa a valer R$ 3,86 a partir da próxima quarta-feira (20). Anteriormente, o valor cobrado era de R$ 4,06.

    De acordo com os dados da estatal, de dezembro de 2020 até julho de 2022, foram 20 reajustes de preços. Do total, seis foram redução, e 14 foram alta. No período, o valor médio da gasolina para distribuidoras subiu de R$ 1,84 para R$ 3,86.

    Além do valor, o preço da gasolina cobrado para o consumidor leva em conta fatores como tributos federais e estaduais, o custo do etanol usado na mistura do combustível e os custos de distribuição e revenda.

    A variação é de cerca de 67%, mas o valor de julho não é o maior. Ainda segundo os dados da Petrobras, o pico foi atingido em 18 de junho, quando entrou em vigor um reajuste de R$ 0,20 no preço da gasolina, agora revertido pela estatal.

    Em comunicado após o anúncio, a Petrobras afirmou que “os ajustes de preços de produtos são realizados no curso normal de seus negócios e seguem as suas políticas comerciais vigentes”.

    A estatal, que recentemente teve a posse do seu quarto presidente em três anos, reiterou “seu compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, ao mesmo tempo em que evita o repasse imediato das volatilidades externas e da taxa de câmbio causadas  por eventos conjunturais”.

    Nesse sentido, a Petrobras disse que “monitora continuamente os mercados, o que compreende, dentre outros procedimentos, a análise diária do comportamento de nossos preços relativamente às cotações internacionais”.

    Como funciona a política de preços da Petrobras?

    Implementada em 2016, a política de preços de combustíveis usada pela Petrobras leva em consideração alguns fatores, mas o principal é a variação internacional nos preços dos combustíveis.

    Apesar do Brasil ter uma autossuficiência na exploração de petróleo, o quadro não é o mesmo para o refino e consequente produção de combustíveis como gasolina e diesel.

    Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP), 12% de toda a gasolina consumida no Brasil é importada, assim como 26% do diesel.

    Para as importadoras, a compra desses combustíveis no exterior para comercialização no Brasil só é vantajosa se o preço praticado internamente, tendo a Petrobras como referência devido ao peso no mercado, é próximo ao internacional, que por sua vez depende do barril de petróleo.

    Se a defasagem fica muito grande, as importadoras podem cessar as operações, trazendo um risco de desabastecimento no mercado.

    Além disso, a cotação do dólar em relação ao real é levada em consideração. A Petrobras possui custos em dólar, e a cotação do petróleo a nível internacional é baseada na moeda norte-americana.

    Quanto maior a valorização, maior tende a ser o preço do petróleo, aumentando a chance de um reajuste ser demandado.

    Isso não significa que toda variação no preço do petróleo ou na cotação do dólar é repassada imediatamente nos preços.

    A Petrobras não tem uma periodicidade fixa nos reajustes, mas a estatal afirma que busca evitar que variações pontuais sejam repassadas, ou que períodos de volatilidade, um sobe e desce nos preços, entrem na consideração do reajuste.

    Desde 2021, por exemplo, o petróleo entrou um movimento de forte valorização devido a um descompasso de oferta e demanda gerado pela pandemia, chegando a encerrar o ano acima dos US$ 90.

    O cenário piorou em 2022 com a guerra na Ucrânia, e a commodity ultrapassou os US$ 110, chegando a rondar os US$ 130. Atualmente, está com uma cotação em torno de US$ 105 considerando o tipo Brent, referência para a Petrobras.

    Já o dólar passou a maior parte de 2020 e 2021 acima dos R$ 5, com um período mais extenso de cotação abaixo desse valor no primeiro trimestre de 2022 que, entretanto, já foi revertido, superando os R$ 5,30.