Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    “Pix Tinder” pode atrair fraudadores e expor usuários a golpes financeiros

    Fraudadores estão de olho nos dados compartilhados em grupos abertos de Facebook e WhatsApp

    Quase 90 milhões de pessoas já fizeram transações pelo sistema, segundo o BC
    Quase 90 milhões de pessoas já fizeram transações pelo sistema, segundo o BC Pix, do Banco Central / Foto: Estadão Conteúdo

    Raphael Coraccini,

    colaboração para o CNN Brasil Business, em São Paulo

    A facilidade do brasileiro em se socializar realmente não encontra limites. O Pix passou a ser usado, já desde os seus primeiros dias, como uma espécie de Tinder. Já que a nova ferramenta permite mandar uma mensagem de até 140 caracteres com um depósito, diversas pessoas já fizeram transferências de centavos para falar com os seus pretendentes. 

    O problema é que as chaves usadas para transferência nessa brincadeira do “Pix Tinder”, que às vezes são disponibilizadas abertamente em grupos abertos (seja de WhatsApp ou Facebook), podem ser usadas por fraudadores e golpistas. O que deixa a coisa um pouco menos engraçada e nada sensual. 

    Flávio Gaspar, head de Produtos da Topaz, empresa focada em soluções financeiras, diz que é “bastante preocupante” que os brasileiros, na hora de brincar, estejam publicando suas chaves sem nenhum tipo de preocupação. 

     Ele destaca que a circulação de números de CPF, e-mail ou telefone pela internet pode, ao longo do tempo, trazer dores de cabeça. 

    “São informações sensíveis que a Lei Geral de Proteção de Dados e as empresas estão se esforçando para proteger”, destaca. “Elas podem ser usadas para que criminosos tentem acessar informações, serviços públicos ou até mesmo contas bancárias das pessoas”, completa. 

    O Banco Central pede para que as pessoas não usem a ferramenta como rede social e ressalta que, como qualquer outro meio de pagamento, o Pix não está livre de tentativas de golpes, “principalmente em relação a engenharia social, que se aproveitam da inocência do usuário”, destaca a autoridade em nota. 

    A engenharia social é um tipo de fraude que permite ao criminoso ter acesso a algumas informações do usuário e convencê-lo a entregar outras. De posse de dados como CPF, e-mail e número de celular, que servem de chave para o PIX, o fraudador pode usar a tática do phishing, amedrontar a vítima e fazer com que ela entregue outras informações confidenciais. 

    “O principal problema do mercado financeiro em relação à segurança, hoje, está relacionado a esses processos de engenharia social. Os fraudadores utilizam redes sociais, fóruns na internet, aplicativos de mensagens e outros meios de comunicação e, com estratégia de persuasão, obtêm uma senha ou um acesso”, explica Gaspar. 

    Com informações do usuário, o fraudador pode ainda entrar em contato com parentes ou amigos em nome da vítima, solicitando transferências ou pagamento de boletos. 

    “A internet é um lugar perigoso para divulgação de dados, e, por isso, deve-se manter em sigilo as chaves do Pix como se mantém credenciais de conta bancária, saldo de FGTS e demais serviços que são acessados por login e senha”, destaca. 

    Segundo o especialista em segurança da informação da ESET Brasil, Daniel Cunha Barbosa afirma que a chave de segurança é a maneira mais segura de proteger as informações pessoais.

    “De todas as possibilidades que o Pix fornece para que as pessoas utilizem como chave, com certeza o número aleatório é a mais segura delas, pelo simples fato de não fornecer nenhum dado pessoal adicional”, avalia. 

    Ainda assim, há riscos envolvidos. Durante uma transferência via Pix, o sistema exibe o nome completo da pessoa que receberá o dinheiro e um fragmento do CPF. 

    “Os criminosos podem utilizar esses dados para fazer buscas na internet por mais informações referentes à vítima”, destaca. “Mesmo a chave aleatória deve ser protegida, e nunca postada abertamente na internet. Forneça a chave somente para quem realmente precisar”, completa Barbosa. 

    A piada continua

    E esse problema deve demorar para terminar. No Facebook, por exemplo, o “Grupo onde homens enviam Pix para mulheres” já tem mais de 13 mil membros. 

    Uma das criadoras da página, a técnica em enfermagem Bhruna Azevedo, afirma que o espaço foi criado para que as pessoas trocassem mimos e começassem uma interação, usando o PIX como ferramenta para isso. 

    “Criamos o grupo para entretenimento, tanto para as mulheres quanto para os homens que buscam realizar suas vontades, são várias formas de alegrar o dia de alguém”, diz Azevedo. 

    O que não vai ter graça nenhuma, no entanto, é um golpe consumado. Por isso, é necessário cuidado.