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    Polarização é negativa e agro deve dialogar com governo, defende CEO da Minerva à CNN

    Em entrevista ao programa Caminhos com Abilio Diniz, Fernando Queiroz diz que relacionamento entre as partes tem que ser bom, devido à importância do agronegócio brasileiro para o mundo

    Da CNN*

    São Paulo

    Quando questionado sobre o seu relacionamento com o atual e o último governo, o presidente da Minerva Foods, Fernando Queiroz, defende que a polarização é sempre negativa para o Brasil como um todo.

    “O relacionamento tem que ser bom das duas partes. Pelo bem do país, temos que aumentar o diálogo”, defendeu Queiroz em entrevista ao programa Caminhos com Abilio Diniz, da CNN.

    O frigorífico tem sede em Barretos, no interior de São Paulo — onde no 1º turno das eleições de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 56,1% dos votos. Para Queiroz, a cidade “não é a capital de um político [Bolsonaro], mas é sim a capital do agronegócio”.

    Vocação do país

    Fernando Queiroz define o agronegócio como uma “vocação” do Brasil.

    Os números do setor são de fato expressivos, registrando um crescimento de 21% no primeiro trimestre. Mesmo a retração de 0,9% no segundo trimestre surpreende ao ficar 2,6 ponto percentual (p.p.) abaixo do que o mercado esperava. Atualmente, o setor responde por cerca de um terço do PIB brasileiro.

    “Acredito que o Brasil como um todo, independente dos dirigentes, tem o agronegócio como um setor importante”, afirma Queiroz.

    Devido a sua importância para o país, portanto, o presidente da Minerva destaca que o diálogo entre o governo e o setor é necessário para o desenvolvimento do agro.

    “Acredito que temos que mostrar mais do que já temos. Precisamos de interlocutores claramente definidos. Especialmente dentro do governo e do setor privado, que possam trabalhar juntos e definir objetivos comuns”, pontua Queiroz.

    Além disso, o empresário destaca que um dos diferenciais da produção brasileira é o tratamento dela como um negócio.

    “Aqui, nós incentivamos o empreendedorismo, a inovação e técnicas de gestão. Há melhoras no manejo, genética dos animais e na logística”, explica.

    “Estamos em uma espiral positiva que só vai aumentar a vantagem em relação ao hemisfério norte”, conclui.

    Com os benefícios e papéis do governo e dos empresários bem definidos, Queiroz defende que o caminho para o fortalecimento do agronegócio é “conjugar o setor público e privado numa pauta única de como o Brasil é forte e pode crescer de forma sustentável”.

    Sustentabilidade

    Ao avaliar o atual cenário das demandas do público e de burocracias governamentais, Fernando Queiroz defende que o Brasil tem um “dever de casa” para fazer quando o assunto é sustentabilidade.

    “Existem controles que precisam ser feitos, mas existe sim um incentivo importante para que a gente produza mais em menos área”, afirma o empresário.

    Queiroz destaca que a Minerva definiu a descarbonização como uma de suas principais metas de sustentabilidade. Quanto aos incentivos, o presidente da companhia reforça como a pauta de créditos de carbono deve “ser cada vez mais forte do Brasil no mercado internacional”.

    “Nós engajamos nossos fornecedores em programas onde damos apoio técnico e financeiro para que eles produzam mais em menos área. O terreno excedente é destinado a reflorestamento e geração de crédito de carbono”, explica Fernando Queiroz.

    Com o aumento da produtividade e da tentativa por sustentabilidade do setor, o presidente da Minerva reitera sobre o impacto da agropecuária brasileira fora do Brasil. “Cada vez mais no mundo, ela tem importância pela questão da insegurança alimentar”, conclui.

    Peso no bolso

    Fernando Queiroz destaca a questão das altas taxas de juros como uma das principais preocupações do setor. “Não são as condições ideais”, defende o empresário.

    Segundo Queiroz, é um momento para ser atravessado com estratégia. Ele explica como a Minerva tem buscado enfrentar a situação.

    “Nosso time fazer o liability management – alavancando a empresa com a geração de resultados, especialmente de fluxo de caixa livre – é a forma ideal para que você dê os passos de forma séria.”

    Reforma tributária

    Para o empresário, a reforma tributária estabelece uma regra mais “racional e simples”, o que seria a maneira mais adequada de se definir a tributação no país.

    Na sua avaliação, o sistema em vigor é confuso e atrapalha as empresas, gerando ineficiências.

    “Somos a favor da reforma tributária para que a base seja maior e a alíquota seja menor”, pontua Queiroz.

    Distribuição de renda

    O presidente da Minerva ainda reforça como o mercado interno é importante para o crescimento da empresa.

    Ele avalia que é cultural o consumo de carne no Brasil, contudo, é afetado pela renda do brasileiro.

    “Sem dúvida nenhuma, é um produto muito elástico. Você distribui renda e o consumo de carne cresce”, afirma Queiroz.

    E ainda há espaço para o agro crescer?

    Para Fernando Queiroz, a resposta é sim.

    “Existe, sim, bastante espaço para crescermos. Tem capacidade de intensificar mais, temos capacidade de reduzir o ciclo para o gado ficar pronto”, defende.

    Segundo o empresário, a Minerva tem potencial para além de crescimento, diversificar o seu mercado.

    “Além de aumentar a produtividade, podemos aumentar os nichos, como produtos orgânicos. Por exemplo, a Minerva é a primeira produtora a exportar carnes carbono neutro”, pontua o presidente da companhia.

    *Publicado por João Nakamura

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