Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    ‘Prever fim da crise portuária ainda é difícil’, diz especialista

    À CNN Rádio, o diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, afirmou que há ‘demanda reprimida’ e que Brasil não é prioridade para volta das atividades

    Porto de Nansha em Guangzhou, na China
    Porto de Nansha em Guangzhou, na China VCG via Getty Images

    Amanda Garciada CNN

    São Paulo

    A crise portuária, intensificada pela pandemia da Covid-19, que interrompeu as cadeias de suprimentos, ainda não tem data para acabar. Segundo o diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, a retomada será uma “situação gradativa”.

    Em entrevista à CNN Rádio nesta quarta-feira (25), Quintella afirma que ainda é difícil falarmos em estimativa de tempo para a retomada. “A previsão para se normalizar depende do comportamento da pandemia, ainda há muito receio da volta das atividades no mundo inteiro”.

    Além disso, ele explica que será necessário atender uma demanda reprimida acumulada durante as restrições nos portos: “Ela começará pelos mercados da Europa e dos Estados Unidos, o Brasil estaria na fila, como se estivéssemos esperando um congestionamento se dissipar. Podem durar mais 6 meses ou 1 ano, depende de variáveis que não há como prever”.

    Marcus Quintella reforçou que a pandemia trouxe uma “desorganização sem igual” na logística do comércio internacional, com congestionamento nos portos, valores de frete muito altos e impacto na cadeia. Além, claro, das restrições entre portos.

    Ele destaca que há uma estimativa de que 353 navios no mundo enfrentam, neste momento, problemas para atracar. Segundo o especialista, o Brasil é “pouco significativo” nesse setor, já que representa apenas 1% do comércio mundial de contêineres e está fora das principais rotas.

    Esse cenário traz outro problema: como o país importa mais contêineres do que exporta, o custo aumenta, especialmente com o valor de frete. Isso porque cargas vindas da China, por exemplo, muito provavelmente voltarão com o carregamento vazio, encarecendo o processo com a viagem “perdida”.

    “Houve disparo do custo dos fretes no Brasil, especialmente dos que partem da China, com aumento de US$2 mil para quase US$ 10 mil, isso penaliza o comércio exterior brasileiro e, por tabela, a economia doméstica”, diz.