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    Produtividade e qualificação são desafios para o PIB brasileiro, dizem entidades

    Especialistas discutiram a composição da economia do país em painel do Fórum Esfera 2023, no Guarujá (SP), nesta sexta-feira (25)

    Painel do Fórum Esfera 2023 debateu a composição do PIB brasileiro
    Painel do Fórum Esfera 2023 debateu a composição do PIB brasileiro Reprodução

    Da CNN

    São Paulo

    Gargalos de produtividade e de educação, desde as microempresas até as grandes indústrias, estão entre os principais entraves que impedem o Brasil de ter taxas de crescimento mais robustas.

    É o que apontam os especialistas que participaram, nesta sexta-feira (25), do Fórum Esfera 2023, em Guarujá (SP), em um painel sobre o PIB brasileiro.

    “Para falar em aumento de produtividade, temos que falar em tecnologia, sendo que grande parte das micro e pequenas empresas sequer tem acesso a internet de qualidade”, disse Margarete Coelho, diretora de administração e finanças do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

    “Então, além de qualificar essas pessoas, para utilizar as novas tecnologias, ainda precisamos dar acesso a elas.”

    As micro e pequenas empresas representam 29,5% do PIB brasileiro, de acordo com o Sebrae, e geram 50% de todos os salários recebidos no país, além de responderam, também, por cerca de 50% dos empregos formais.

    “É um setor que impacta na formação do PIB das mais diversas maneiras”, disse Coelho.

    “Não dá para falar de economia e de formação do nosso PIB sem observar a importância das micro e pequenas empresas, mas, também, sem olhar para os grandes gargalos do setor”, acrescentou.

    “A produtividade é tudo”, concordou o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet, que reforçou gargalos de tecnologia e qualificação também na indústria.

    “A discussão da produtividade da indústria como maneira de aumentar o PIB pode parecer muito básica, mas é importante reforçá-la, e passa pela qualificação.”

    Embora a participação da indústria no PIB brasileiro gire atualmente entre 20% e 25%, Calvet destaca que ela responde por 34% da arrecadação de impostos e por 66% de todos os gastos empresariais com pesquisa e desenvolvimento no país.

    “Ampliar a produtividade [da indústria] passa por mais qualificação, passa pela tecnologia e, também, por um processo não nas pessoas, mas nas empresas, na facilitação de negociações”, disse ele, se referindo às grandes reformas estruturais e microeconômicas como a reforma tributária e o Marco das Garantias, projeto de lei em tramitação no Congresso que muda regras para garantias de empréstimos com o objetivo de reduzir os juros e o custo do crédito.

    “As políticas setoriais ajudam”, disse ele, “mas uma reforma tributária é mais importante não só para a indústria, como para todos os outros setores”.

    Bruna Assumpção, presidente da empresa de fretamento de aeronaves Líder Aviação, destacou a importância da aviação executiva em complementar os modais de transporte comerciais e, quase literalmente, ajudar a transportar o PIB brasileiro.

    “As pessoas se referem a essa modalidade como luxo, status. Se pensarmos que tempo é lucro, eu posso concordar”, disse ela.

    “A aviação executiva conecta mais de 2.200 aeródromos no Brasil, um país de dimensões continentais, enquanto a aviação comercial conecta apenas 125 aeródromos. Isso mostra como essa aviação é importante para gerar economia, girar o PIB e movimentar todos os setores, e como a gente realmente depende dela”, acrescentou.

    *Publicado por Juliana Elias