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    Reino Unido registra o menor número de veículos fabricados em quase 70 anos

    Produção automobilística despenca no país de carros icônicos como o Mini e o Rolls-Royce

    Américo Martinsda CNN

    em Londres

    O Reino Unido é um país apaixonado por velocidade, e seus brilhantes engenheiros produziram alguns dos carros mais icônicos do mundo, como Mini, Rolls-Royce, Jaguar, Aston Martin e a McLaren.

    A indústria automobilística do país, no entanto, está em franca decadência e registrou em 2022 o menor número de carros produzidos desde 1956.

    Segundo a Sociedade de Fabricantes e Concessionárias de Veículos (SMMT, na sigla em inglês), o Reino Unido produziu apenas 775.014 carros no ano passado. Para efeito de comparação, o Brasil fabricou 2.37 milhões de veículos em 2022.

    Parte da queda está ligada à falta de microchips para a indústria e o aumento do custo de vida no país e na Europa como um todo, que reduziu a demanda.

    Mas os representantes da SMMT culpam também o governo por, segundo eles, não ter uma estratégia para tornar o país mais competitivo no setor.

    Por seu lado, o governo britânico responde com generalidades. Um porta-voz disse que a administração do país estava determinada a garantir que o Reino Unido continue sendo um hub global para a fabricação de automóveis.

    Lenta decadência

    A decadência da indústria britânica como um todo e da automobilística em particular vem sendo lenta e gradual.

    O Reino Unido chegou a ser o segundo maior produtor e o maior exportador de veículos do mundo nos anos 1950 e 1960.

    Seus carros, especialmente os de luxo e os esportivos, ganharam notoriedade pelo seu design, conforto e velocidade. O país, inclusive, teve grande desempenho em competições importantes como a Fórmula-1.

    Mas, desde a década de 1990, o setor vem enfrentando dificuldades.

    Os custos de produção no Reino Unido são muito altos e a competição vem crescendo em outros países, levando capital que poderia ser investido na indústria britânica.

    Para piorar ainda os ânimos dos britânicos do setor, várias das grandes marcas de veículos do país foram vendidos para estrangeiros ao longo dos anos. Como são os casos do Mini e do Rolls-Royce (que pertencem hoje à alemã BMW), da Jaguar e da Land Rover (propriedades do grupo indiano Tata) e da Bentley (comprada pela Volkswagen).

    Os líderes da SMMT dizem que o país só conseguiria a volta à marca de mais de um milhão de carros produzidos em 2025.

    E mesmo assim, apenas se o governo adotar alguma forma de subsídio ou incentivo para o setor. Mas isso não parecer ser muito provável no momento, para desconsolo dos amantes dos “british cars”.