Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Relatório da IFI do Senado projeta inflação em 5,8% para final de 2022

    Segundo especialista, panorama se deve a desoneração de tributos, como o ICMS, sobre energia, combustíveis e telecomunicações

    Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) é produzido mensalmente pela IFI e traz avaliações conjunturais sobre a macroeconomia e a conjuntura fiscal
    Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) é produzido mensalmente pela IFI e traz avaliações conjunturais sobre a macroeconomia e a conjuntura fiscal Marcos Santos/USP Imagens

    João RosaElis Barretoda CNN

    em Brasília

    A Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado Federal, projetou queda da inflação para o final de 2022, projetada em 5,8%, podendo chegar à 4,8% em 2023. De acordo com a IFI, apesar da redução na alta de preços, os índices ainda estão acima do teto da meta da inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O relatório foi divulgado nesta quarta-feira (19).

    Para 2022, de acordo com o definido pelo CMN, o centro da meta da inflação é de 3,5%, podendo variar 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o teto do indicador para esse ano é de 5%. Já para o próximo ano, o centro da meta é de 3,25%, sendo o teto 4,75%.

    Com uma alta acumulada de 7,17% nos últimos 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é usado para observar tendências de inflação, registrou variação de -0,29% em setembro. Por conta da deflação nos últimos três meses, a instituição revisou as projeções para o IPCA, que passou de 6,4% para 5,8% em 2022.

    O analista de inflação da Fundação Getúlio Vargas, André Braz, afirma que a queda da inflação vista nos últimos meses foi produzida pela desoneração de tributos, como o ICMS, sobre energia, combustíveis e telecomunicações.

    “Se não fossem essas reduções de imposto, com certeza a gente teria uma expectativa de inflação para esse ano em trono de 9%. Só que além dessa redução de imposto, houve também queda no preço da gasolina, então isso trouxe a inflação para um patamar que a gente não conseguia prever antes dessa redução de imposto.”, aponta Braz.

    Segundo o economista, para o ano que vem, ainda é cedo prever uma queda mais acentuada no indicado, uma vez que o preço do barril o petróleo já voltou a subir, o que afeta diretamente o preço dos combustíveis no mercado interno brasileiro. Além de impactar indiretamente o custo de outros produtos, como alimentos.

    “Então, por conta desses aumentos, eu prevejo uma inflação para o ano que vem em torno de 5,4%, 5,3%, não abaixo de 5%, mas acima de 5%. Tem gente pensando em inflação em torno de 5%, ou abaixo desse patamar. Eu acho que ainda é cedo.”, completa.

    O Comitê de Política Monetária (Copom) projetou a inflação em 5,8% para 2022, para 2023 e 2,8% para 2024. Segundo o Comitê, a incerteza em torno das projeções é alta e a variância do balanço de riscos para a inflação prospectiva é maior que a usual.

    Além da queda da inflação, as projeções da IFI mantiveram um crescimento do PIB para 2022 em 2,6%. Segundo o instituto a projeção se manteve diante dos sinais de menor crescimento da atividade econômica durante o terceiro trimestre deste ano.

    Para 2023, a IFI estimou um crescimento de 0,6% do PIB, considerando a vigência até 31 de dezembro das medidas de estímulo fiscal adotadas este ano. A IFI também simulou um cenário alternativo para 2023, em que considera a prorrogação dessas medidas e o adicional de R$ 200 mensais por família referente ao Auxílio Brasil, a projeção de crescimento do PIB com essas prorrogações sobe para 1,0%.

    O Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) é produzido mensalmente pela IFI e traz avaliações conjunturais sobre a macroeconomia e a conjuntura fiscal.