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    Saiba o que é um trader profissional, o que faz e quais são os riscos

    Profissional compra e vende ações no curto prazo para buscar rentabilidade

    Patrícia Basiliocolaboração para o CNN Brasil Business

    em São Paulo

    Augusto Caramico, 36 anos, acorda todos os dias cedo, toma seu café da manhã, acompanha o noticiário do dia e rapidamente acessa os dados do mercado financeiro pelo computador um emaranhado de sobe e desce de ações. 

    Ele atua como trader profissional há 16 anos em corretoras e bancos. Mas o que é ser um trader? Quais os riscos? Confira:

    O que é trader?

    O trader trabalha com a compra e venda de ativos na bolsa no curto prazo e aproveita a volatilidade do mercado para buscar rentabilidade. 

    “Quem ganha dinheiro na bolsa? É quem chega primeiro e quem analisa a informação correta. Você tem que comprar a ação antes do preço subir e vender antes dela cair. Quem chega depois, não ganha”, diz o analista de investimentos. 

    Trader precisa ter formação específica?

    Segundo Roberto Motta, estrategista macro da Genial Investimentos, não existe uma formação específica para traders, embora a maior parte dos profissionais seja formada em economia, engenharia e administração. O importante, destaca, é estudar as escolas de trading (análises técnica e fundamentalista) e ganhar experiência ao longo do tempo.

    “Pessoas que conseguem cumprir com êxito suas estratégias têm um retorno satisfatório, de acordo com o risco. O problema é que a área atrai profissionais inexperientes e que não têm o nível de dedicação de estudos e disciplina exigidos pelo mercado”, disse. 

    De acordo com os últimos dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), existem aproximadamente 4 milhões de investidores individuais no Brasil. Em 2017, esse número era de 500 mil. 

    Quanto ganha?

    Estabelecer um percentual de retorno financeiro para um trader autônomo (não vinculado a uma empresa) é uma tarefa bastante complicada. O valor depende do perfil do investidor, que pode variar entre conservador, moderado e agressivo, e do volume que ele deseja operar. Em geral, o percentual varia de 2% a 10% do montante investido.

    Além disso, alguns custos fazem parte das operações de curto prazo do trader autônomo e devem ser considerados no cálculo, como os de corretagem, cobrados pela corretora escolhida, e os de emolumentos, cobrados em transações financeiras e que equivalem a um percentual do volume total da negociação.

    No caso de traders que trabalham para alguma corretora ou empresa, a remuneração pode variar entre R$ 9.650 e R$ 47.350, de acordo com a experiência e qualificação dos profissionais, aponta o Guia Salarial 2022 realizado pela Robert Half. Segundo a consultoria, a demanda do mercado hoje favorece profissionais com mais habilidades e certificações na área financeira, embora o salário seja mais alto.

    Quais os cuidados?

    De acordo com os especialistas, há um estereótipo de ostentação que a profissão de trading ganhou nas redes sociais — o que leva pessoas a investirem dinheiro na Bolsa em busca de uma fortuna que raramente o mercado financeiro oferece. “O problema é colocar o trader como uma figura que ganha muito dinheiro e trabalha pouco. Essa liberdade financeira e profissional não existe”, alertou Caramico. 

    Pesquisa divulgada no passado pelos professores Fernando Chague e Bruno Giovannetti, da FGV (Fundação Getulio Vargas), corrobora a afirmação dos especialistas.  

    O estudo, realizado a partir de um universo de 98 mil day traders, que compraram e venderam ações no mesmo dia entre 2013 e 2016 no Brasil, aponta que apenas 0,1% (127) deles registrou um lucro diário bruto superior a R$ 100 por mais de 300 pregões. Ou seja, a grande maioria saiu no prejuízo. “Mesmo considerando apenas os 127 indivíduos ganhadores, vemos uma média de ganho baixa frente ao risco”, concluíram os pesquisadores. 

    Perder dinheiro faz parte da profissão, por isso, sai na frente quem consegue mitigar esse prejuízo, explicou Felipe Vella, head de análise técnica da Ativa Investimentos.  

    Formado em tecnologia da informação, Vella atuou durante 10 anos como trader até migrar para a área corporativa. “Mais de 90% das pessoas perdem dinheiro no mercado financeiro, principalmente por ser uma atividade difícil e democrática. Por este motivo, a premissa é fazer uma boa gestão de risco.” 

    Caramico concorda que é preciso saber enfrentar com os riscos. “Aprender a ser um trader é como aprender a andar de bicicleta. O desafio é estar sozinho. O trader toma risco e, por isso, tem de lidar com emoções. A perda financeira é uma situação silenciosa e dolorida”, disse o analisa. 

    Estar preparado psicologicamente é fundamental para atuar com trading, destacou Motta, estrategista macro da Genial Investimentos.  Ele afirma também que a regra número um da profissão é entrar em uma operação com objetivo e saber quanto pode perder de forma pré-determinada.