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    Setor de vestuário tem a maior inflação em 27 anos

    Segundo o IBGE, os preços de roupas e acessórios subiram mais de 16% em um ano. O retorno da demanda e os altos custos são os principais motivos

    Camille CoutoRafaela Cascardoda CNN

    no Rio de Janeiro

    O setor de vestuário e acessórios registrou a maior inflação desde 1995. Em um ano, os preços atingiram alta de 16,08%, segundo dados do IPCA (Índice Nacional de preços ao Consumidor Amplo). Há 27 anos, o impacto da transição do Plano Real levou a taxa de 18,62%.

    O economista Fábio Bentes, da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), explica que um dos fatores que contribuíram para esse aumento é o fim das restrições impostas pela pandemia após o impacto na cadeia produtiva da indústria.

    “A gente tem uma retomada gradual da demanda por consumo de vestuário da população. Bom lembrar que esse segmento do varejo foi um dos que mais sofreram nas fases mais críticas da crise sanitária. O volume de vendas do varejo e vestuário chegou a cair 73%, em relação do período pré-pandemia, logo ali em abril de 2020. Essa perda, essa defasagem da pré-pandemia vem diminuindo, embora, ainda esteja no negativo”, afirmou Fábio.

    A preparadora física Déborah Souza passou pelo aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, na tarde desta segunda-feira (4). Ela foi abordada pela equipe da CNN Brasil quando estava olhando a vitrine de uma loja de roupas que fica no segundo andar. Por causa dos altos preços, Déborah não passou da porta.

    “Aqui as roupas são lindas, né, mas tudo muito caro. Eu até tô precisando comprar umas peças novas, mas com certeza não vai ser aqui. Acho que vou esperar a black friday mesmo. Até lá eu vou ter que segurar”, desabafou a preparadora.

    O economista Fábio Bentes explica que o aumento dos preços aconteceu após o arrefecimento da pandemia de Covid-19.

    “O que a gente percebe é que tem um aumento na circulação, fim do isolamento social, praticamente. Isso acaba demandando mais itens de vestuário.

    E por que houve esse repasse? Porque a inflação no atacado de vestuários subiu muito nos últimos meses. Na metade do ano passado, a inflação atualizada de itens de vestuário no atacado era de 28%, inflação muito alta. Obviamente com essa tomada da circulação, houve espaço para o setor repassar margem que ele teve que sacrificar nas fases mais agudas da pandemia. Bom lembrar que há pouco tempo atrás, o setor de vestuário registrava deflação, há pouco mais de um ano.

    Hoje a gente tem um processo de inflação elevado, acentuando os gastos com transportes no IPCA, o item vestuário é o que mais sofre nos últimos 12 meses”, concluiu o economista.