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    Taxa de juros é maior barreira da indústria para acesso ao crédito, diz CNI

    Altas taxas são apontadas como entrave independentemente da modalidade, seja de curto, médio ou longo prazo

    A pesquisa ouviu 2.022 empresários sobre as condições de crédito em um período de seis meses, entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023
    A pesquisa ouviu 2.022 empresários sobre as condições de crédito em um período de seis meses, entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023 cookie_studio/Freepik

    Sandra Manfrini, do Estadão Conteúdo

    O nível elevado das taxas de juros é a maior dificuldade apontada pelas empresas industriais para a obtenção de crédito.

    O dado consta da Sondagem Especial Condições de Acesso ao Crédito, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (7).

    As altas taxas são apontadas como entrave independentemente da modalidade de crédito, seja de curto, seja de médio ou de longo prazo.

    Entre as empresas com dificuldade de acessar crédito de curto ou médio prazo, 71% afirmaram que as taxas de juros foram o principal entrave. No caso de linha de longo prazo, esse foi o fator relatado por 62%.

    Em segundo lugar, aparece a exigência de garantias reais pelas instituições financeiras – para 25% no caso de crédito de curto ou médio prazo; 32% para longo prazo.

    Outros 16%, no caso de curto e médio prazo, reclamaram da falta de linhas adequadas à necessidade da empresa.

    No caso do crédito de longo prazo, em terceiro lugar no ranking das dificuldades, aparece o processo de aplicação burocrático e lento, indicado por 18% dos entrevistados.

    A pesquisa ouviu 2.022 empresários sobre as condições de crédito em um período de seis meses, entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023.

    A CNI destaca que “tais dificuldades podem estar entre os fatores determinantes da significativa parcela das empresas industriais que responderam que renovaram suas linhas de crédito em condições piores ou muito piores nos seis últimos meses. Não obstante, a maior parte das empresas industriais relatou que renovou crédito em condições semelhantes”.

    A Sondagem mostra que 47% das empresas não buscaram contratar nem renovar seus financiamentos de curto ou médio prazo; 6% não conseguiram contratar nem renovar e apenas 28% contrataram ou renovaram linha de crédito.

    No caso do crédito de longo prazo, 58% não procuraram contratar nem renovar e apenas 14% conseguiram contratar ou renovar.

    A avaliação do gerente de Política Econômica da CNI, Fábio Guerra, é de que o crédito está mais caro e restrito, com bancos mais cautelosos nas concessões.

    O levantamento mostra que, dentre as empresas que tentaram contratar ou renovar crédito, 19% não conseguiram, no caso de operações de curto ou médio prazo. Para crédito de longo prazo, essa frustração chega a 37%.

    “Observamos um cenário mais seletivo e exigente para quem busca recursos financeiros. Isso também explica o fato de cerca de metade das empresas não terem tentado renovar ou buscar novos empréstimos e uma parcela significativa ter renovado em condições piores ou muito piores”, afirma o economista da CNI.

    Finalidade

    A Sondagem Especial revela que 60% das indústrias buscaram crédito de curto ou médio prazo, entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023, para capital de giro.

    Outras 21% apontaram que os recursos se destinavam a investimentos. No crédito de longo prazo, 43% das empresas industriais disseram que os recursos seriam usados para investimentos e 28% para capital de giro.

    Condições

    Entre as empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo, 36% renovaram em condições piores ou muito piores e 43% em condições semelhantes, em termos de taxa de juros, número de parcelas, período de carência, exigência de garantias. Outros 15% conseguiram condições melhores ou muito melhores.

    Para a renovação das linhas de crédito de longo prazo, a situação é um pouco melhor. Entre os entrevistados, nessa modalidade, 41% das empresas afirmaram ter renovado as operações em condições semelhantes, 29% em condições piores ou muito piores e 17% em condições melhores ou muito melhores.