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    Veja as ações mais recomendadas por bancos e corretoras para o mês de junho

    Cenário ainda reflete incertezas após aprovação do marco fiscal na Câmara e pela política monetária dos EUA

    Pedro Zanattada CNN

    em São Paulo

    O mês de maio foi marcado, no cenário interno, pela aprovação do novo marco fiscal na Câmara dos Deputados. O texto foi aprovado com ampla maioria e trouxe algumas mudanças da matéria original encaminhada pelo Executivo.

    No período, o Ibovespa fechou o mês com saldo positivo de 3,74%. Já o dólar subiu 1,72% ante o real.

    A avaliação feita por corretoras é de que, apesar de o novo arcabouço fiscal aprovado ainda não ser capaz de estabilizar a dívida pública em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB), o projeto é mais restritivo do que o originalmente enviado pelo governo.

    Agora as atenções do mercado se voltam para a reforma tributária, considerada o próximo tema de grande importância.

    “Acreditamos que a reforma do imposto sobre vendas enfrentará obstáculos para ser aprovada no curto prazo, uma vez que a resistência de vários setores dificultará a criação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) unificado para todas as áreas”, pondera o relatório da Genial Investimentos.

    O entendimento é de que a reforma deve levar à tributação de dividendos, ao fim dos benefícios fiscais de juros sobre o capital, ao aumento da taxação para indivíduos de alta renda e à mínima, ou nenhuma, redução nos impostos corporativos, além da expectativa de aumento das receitas fiscais do governo.

    “Por fim, a desaceleração dos índices de inflação no Brasil começou a influenciar de maneira mais intensa as expectativas do mercado em relação à trajetória da Selic, com os mercados precificando a hipótese de que o Banco Central (BC) iniciará os cortes de juros em setembro”, pontua a Genial.

    No cenário externo, uma das principais questões que capturaram a atenção dos investidores foi a negociação em torno do limite do teto da dívida nos Estados Unidos.

    Com relação ao Federal Reserve (Fed, o banco central do país), o presidente da instituição, Jerome Powell, sinalizou uma incerteza sobre a necessidade de um aumento adicional na taxa básica de juros dos EUA. A posição do banco é de tomar decisões em uma base “reunião por reunião”.

    Perspectiva

    Neste contexto, os investidores devem considerar que, embora as incertezas a respeito do movimento da taxa Selic para este ano, o mercado segue aumentando suas apostas para uma redução.

    Além disso, a falta de clareza quanto à eficiência na nova política fiscal persiste, mas está marginalmente melhor.

    Em paralelo, a visão dos investidores estrangeiros, “não é tão negativa para Brasil, desde que não haja rupturas”, segundo avaliação da Ativa Investimentos.

    Com isso, a corretora diz que mantém uma expectativa cautelosa no longo prazo, porém mais otimista para o curto prazo.

    “A aproximação do possível início do período de redução dos juros, somado a um ambiente político ainda ruim, porém com algumas demonstrações de força por parte do congresso e com o nível de valuation muito atrativo das empresas, devem manter o mercado com tendência de alta”.

    Da mesma maneira, o BTG Pactual entende que houve melhora no ambiente de investimentos, o que pode favorecer as ações.

    “O ambiente de investimentos do Brasil melhorou consideravelmente em maio, após uma série de desenvolvimentos positivos no lado fiscal/político e dados macroeconômicos indicando atividade econômica e inflação melhores do que o esperado — inflação mais baixa reforça que o BCB pode começar a cortar a taxa Selic em agosto/setembro”, analisa o banco.

    A Genial diz que é crível que as oportunidades de alocação agora se apresentam de forma mais evidente nas empresas vinculadas à economia local.

    “Apesar de a maioria das empresas domésticas de alta qualidade e longa duração terem apresentado bom desempenho no último mês, acreditamos que ainda há margem para mais valorização”.

    Sendo assim, bancos e corretoras consultadas pela CNN recomendaram ações com maior potencial para o mês de junho. Para a montagem desta carteira, participaram: Banco do Brasil, Inter, Santander, BTG Pactual, XP, Genial, Guide, Ativa e Warren Investimentos.

    Liderando as recomendações aparece o Itaú Unibanco com 6 sugestões para investimentos. Em seguida, com 5 recomendações, estão Multiplan, Vale e Petrobras.

    Veja a lista

    Alguns destaques para o mês

    Veja o que os analistas comentaram sobre os papéis mais indicados para junho:

    Itaú Unibanco

    Ticker: ITUB4

    Comentário: Santander

    O Itaú Unibanco, fruto da fusão entre os bancos Itaú e Unibanco em 2008, é o maior banco nacional. Sua presença, porém, não se limita ao território brasileiro, estando presente em outros 18 países.

    Os analistas do Santander elevaram a recomendação do Itaú de “Manutenção” para “Compra”, mantendo o preço-alvo de R$ 31,00 (2023E), após a divulgação dos resultados do 4° trimestre de 2022 e do forte guidance para 2023.

    A instituição reportou lucro líquido recorrente de R$ 8,4 bilhões no 1T23, alta de 15% a/a e 10% t/t, em linha com a estimativa do Santander e do consenso, gerando um ROAE de 20,7%.

    Como direcionadores, o Santander elenca: estratégias digitais; decisões favoráveis ao setor em projetos relacionados a tributação e taxas de juros atualmente em
    discussão no Congresso; aceleração no crescimento do crédito; e retomada da economia mais rápida que o esperado.

    Já como riscos, estão: potencial enfraquecimento da economia brasileira devido aos altos índices de alavancagem das famílias no país, impactando o crescimento do sistema de crédito e, consequentemente, o potencial de volumes do Itaú; o cenário econômico deteriorando-se materialmente, fazendo com que a inadimplência supere nossa expectativa; e o impacto maior do que o previsto das fintechs, indo além das tarifas e afetando a concessão de empréstimos.

    Multiplan

    Ticker: MULT3

    Comentário: Banco do Brasil

    O Banco do Brasil considera a Multiplan com boa execução operacional, que tem permitido a entrega de fortes resultados mesmo diante de um cenário mais lento de consumo.

    Além disso, o BB entende que a boa seleção de lojas no portfólio da empresa de shoppings, com mais de 1/3 da área bruta locável exposta aos setores de alimentação e serviços, tem contribuído para maior resiliência das vendas.

    “Combinado a isso, a companhia ainda mostra disciplina financeira, com ganho de rentabilidade, liquidez elevada e geração de caixa operacional expressiva, o que tem permitido a manutenção da distribuição de dividendos e um payout em torno de 70%”, avalia a instituição.

    PetroRio

    Ticker: PRIO3

    Comentário: Ativa Investimentos

    “Estamos aumentando Prio pois seguimos acreditando que o seu preço atual não captura a capacidade de valor que a companhia tem” diz a Ativa em seu relatório.

    No momento, a Ativa menciona que “vislumbra com bons olhos” os avanços da campanha exploratória em Frade, os primeiros meses da operação no campo de Albacora Leste, além dos preparativos para a extração do primeiro óleo em Wahoo.

    “Destacamos ainda que a companhia pode efetuar movimentos de aquisição, como com relação a uma participação na Enauta e ao campo de Peregrino, hoje operado pela Equinor”, conclui a consultora.