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    Veja quais foram os vilões e os mocinhos da inflação em maio

    Passagens aéreas e produtos farmacêuticos tiveram os maiores aumentos no mês, enquanto a nova queda da energia elétrica puxou a desaceleração no índice

    Passageiros no terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos
    Passageiros no terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos Rovena Rosa/Agência Brasil

    Fabrício Juliãodo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou a 0,47% maio, após ter avançado 1,06% em abril. O indicador saiu abaixo das expectativas do mercado, mas os especialistas ponderam que a inflação continua alta.

    O grupo vestuário teve a maior variação, com alta de 2,11% e 0,09 ponto percentual de contribuição. Já a maior contribuição veio dos transportes, que desaceleraram de 1,91% de abril para 1,34% em maio, e contribuíram 0,30 p.p. para o índice.

    Saúde e cuidados pessoais foi o segundo grupo de maior impacto para o indicador, apresentando 0,12 ponto percentual no índice final, uma variação de 1,01%.

    Outro grupo que teve contribuição significativa foi a de alimentação e bebidas, que desacelerou consideravelmente em maio, a 0,48% ante alta de 2,06% em abril, mas ainda representou 0,10 ponto percentual na inflação do mês.

    A desaceleração desse grupo veio de alimentação no domicílio, que passou de 2,59% em abril para 0,43% em maio. Entre as quedas mais expressivas desse segmento, o IBGE destaca tomate (-23,72%), cenoura (-24,07%) e batata-inglesa (-3,94%). O gerente da pesquisa cita o fator sazonal como importante influência nesse das quedas.

    A única queda entre os grupos veio de habitação, que registrou impacto negativo de 0,26% ponto percentual.

    Roupas e calçados mais caros

    A alta do grupo vestuário se deu pelo aumento nos preços das roupas masculinas (2,65%), roupas femininas (2,18%) e das roupas infantis (2,14%) — todos com altas acima de 2%.

    Os calçados e acessórios também tiveram alta expressiva em maio, segundo o IBGE, com variação de 2,06%. A única exceção do grupo foram as joias e bijuterias, cujos preços recuaram 0,34%.

    Passagens aéreas puxam combustíveis

    As passagens aéreas foram o grande destaque da inflação do grupo de transportes, com alta de 18,33%. Elas constituíram no maior impacto individual sobre o IPCA de maio, de 0,08 ponto percentual, junto com os produtos farmacêuticos, pertencentes ao grupo de saúde e cuidados pessoais.

    A inflação nas passagens aéreas já havia sido sentida fortemente em abril, quando elas registraram alta de 9,48%, segundo dados do IBGE.

    Gasolina e etanol arrefecem

    Apesar de os preços dos combustíveis ainda estarem muito acima do registrado há um ano, a categoria desacelerou a 1% em maio, ante 3,20% no mês anterior.

    A gasolina passou de 2,48% em abril para 0,92% em maio, enquanto o etanol foi de uma alta de 8,44% para uma queda de 0,43%.

    O IBGE ainda destaca as variações nos preços das passagens dos subitens ônibus urbano (0,06%) e táxi (0,72%). A primeira é consequência do reajuste de 12,5% no preço das passagens em Aracaju (5,75%), vigente desde 15 de maio.

    A segunda decorre dos reajustes de 41,51% nas tarifas em São Paulo (1,99%), em vigor desde 2 de abril, e de 14,10% em Fortaleza (5,20%), aplicado a partir de 12 de abril.

    Houve ainda reajustes nos ônibus intermunicipais (1,19%) em três áreas: Belo Horizonte (6,88%): reajustes de até 17% nas passagens, desde 16 de maio; Aracaju (6,25%), com reajustes de até 12,5% nas passagens, desde 15 de maio; e Porto Alegre (5,39%), que teve reajuste de 7,33% nas passagens, desde 14 de abril.

    Energia elétrica em queda

    A principal responsável pela queda no grupo habitação foi a energia elétrica. Este é o segundo mês consecutivo que o item apresentou recuo, desta vez de 7,95%. Com o fim da bandeira de escassez hídrica em 16 de maio, os consumidores deixaram de pagar R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos.

    As variações de energia elétrica nas áreas foram desde queda de 13,49% em Brasília (onde houve redução de PIS/COFINS) até alta de 6,97% em Fortaleza, por conta do reajuste de 24,23% nas tarifas residenciais, a partir de 22 de abril.

    Outras capitais brasileiras também registraram ajustes tarifários nas contas de energia elétrica. São elas: Recife: (3,27%), com reajuste de 18,77%, em vigor desde 29 de abril; Salvador (2,56%): reajuste de 20,97%, vigente desde 22 de abril; Aracaju (0,79%): reajuste de 16,81%, a partir de 22 de abril; e Campo Grande (-1,63%): reajuste de 17,14%, a partir de 16 de abril.

    Outros destaques

    O recuo nos preços do botijão de gás de 1,02%, após alta em abril de 3,32%, foi um importante destaque do mês. Já a taxa de água e esgoto teve alta de 2,73%. Este último reflete os reajustes de 12,89% em São Paulo (8,29%), vigente desde 10 de maio, e de 4,99% em Curitiba (1,97%), desde 17 de maio.

    No grupo saúde e cuidados pessoais, que variou 1,01%, o resultado foi influenciado pela alta dos produtos farmacêuticos de 2,51% – maior impacto individual positivo no índice de maio (0,08 p.p.) junto com as passagens aéreas.

    Já os planos de saúde seguem em queda, após apresentar variação negativa de -0,69% em maio. No entanto, o reajuste de 15,5% aprovado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no dia 26 de maio será incorporado a partir do IPCA-15 de junho, seguindo a metodologia empregada nos anos anteriores.