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    Viagens ou panelas? O que fazer com as milhas acumuladas durante a pandemia

    Somente no terceiro trimestre de 2020, mais de 6 bilhões de milhas expiraram

    Foto: Stefan Cristian Cioata/Getty Images

    Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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    As viagens para 2020 já estavam programadas desde o final de 2019: algumas milhas aqui, outras acolá, e mais algum dinheiro adicional e tudo estaria perfeito —só faltavam as malas. E, então, de repente, veio a pandemia do novo coronavírus.

    Com as fronteiras fechadas, os voos reduzidos e o perigo de contaminação, somente em março do ano passado, 85% das viagens marcadas foram canceladas, segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav).

    Com a queda no número de casos e mortes por conta do vírus no país no fim do ano, as expectativas todas foram para 2021. Mas em março, novamente, a situação piorou.

    Com a restrição às viagens por causa da pandemia, ficou mais difícil trocar as milhas por passagens aéreas ou pacotes turísticos. Só no terceiro trimestre de 2020, mais de 6 bilhões de milhas expiraram, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (Abemf).

    Opção 1: trocar por produtos ou serviços

    Para Mirelly Gama, diretora de Bancos, Varejo e Parcerias da Smiles, o ideal é trocar os pontos para não perdê-los, mas o cliente pode escolher produtos e serviços úteis no seu dia a dia.

    “Na Smiles, o cliente pode trocar suas milhas por produtos e serviços que facilitam seu dia a dia, desde produtos de varejo dos principais e-commerce brasileiros, como Fast Shop, Magazine Luiza, Casas Bahia, por créditos de Uber e Uber Eats, aluguel de carros com a Localiza ou combustível, em parceria com a Shell”, diz.

    Opção 2: doar para instituições filantrópicas

    Outra possibilidade, segundo Gama, é o usar as milhas para doação ao programa “Milhas do Bem”. A cada milha doada pelo cliente, a companhia doa outra. Cada milha doada vai para instituições que distribuem alimentos e kits de higiene para famílias que vivem em situação de emergência, além de contribuir com a realização de atividades online para os alunos atendidos pelos projetos.

    Até o momento, seis instituições filantrópicas são parceiras no programa.

    Opção 3: vender as milhas

    Existe ainda outra alternativa que pode ser benéfica a curto prazo: vender as milhas por meio de sites especializados nisso.

    “A venda de milhas é uma oportunidade de possibilitar a viagem dessas pessoas e ganhar um dinheiro extra, que seria perdido se o consumidor deixasse de utilizá-las”, afirma Tahiana D’Egmont, sócia e CMO da MaxMilhas. 

    Opção 4: planejar viagens para o futuro

    Já algumas empresas, como o TudoAzul, aumentaram o período para recuperar o que foi acumulado. Os pontos acumulados pelos clientes, que anteriormente possuíam validade de dois anos, tiveram a expiração suspensa até o final da pandemia.

    Algumas pessoas estão aproveitando o momento de passagens mais baratas e menos milhas gastas por conta da Covid-19 para planejar futuras viagens, mesmo sem saber ao certo quando poderão fazê-las. 

    “O momento não impede o consumidor de usar e abusar das formas de juntar pontos para aproveitar boas promoções e planejar a próxima viagem. Poucos sabem a finalidade, e tem muita gente por aí que pode estar perdendo a oportunidade de acumular pontos e trocá-los, seja por passagens aéreas ou pacotes de viagem”, diz Daniel Bicudo, diretor de Marketing e Negócios da Azul.

    Para ele, é preciso estar atento às promoções “que dão bônus extras se você transferir pontos do seu cartão de crédito para um programa de fidelidade, por exemplo”. “E, na hora de resgatar, é preciso pesquisar os preços de viagens ou produtos em pontos tal como faríamos se fosse um pagamento em dinheiro”, afirma. 

    Na Smiles, se o consumidor decidir esperar, ele também tem suas milhas garantidas por um período de até 330 dias. “Nossa plataforma oferece a possibilidade de um planejamento com tranquilidade para viagens a longo prazo, em parceria com várias companhias aéreas e destinos. Portanto, pode utilizar as milhas que vencem no curto prazo para resgatar viagens até o ano seguinte”, explica Gama. 

    Como conseguir milhas?

    Uma das principais formas de se acumular milhas é por meio de gastos com o cartão de crédito, que se transformam em pontos. Esses pontos, depois, podem ser usados, trocados e até mesmo vendidos.  

    O primeiro passo para quem quer começar a acumular milhas é aderir a um programa de pontos pelo telefone, site ou no aplicativo do banco. Com a adesão a um programa, os pontos são acumulados automaticamente a cada compra ou pagamento de fatura. 

    “É muito importante saber qual é a taxa de conversão dos pontos do seu cartão. Geralmente, a proporção de pontos acumulados em cada compra é de um ponto para cada dólar gasto, mas a pontuação varia de acordo com o tipo de cartão, a bandeira e o banco. Por isso, não deixe de verificar qual é o cartão ideal para você”, diz D’Egmont, da MaxMilhas.

    Para ela, outra dica importante é “aproveitar as promoções de bônus nas transferências de pontos dos programas dos bancos para os programas de fidelidade das companhias aéreas, que hoje são Smiles (Gol), TudoAzul (Azul) e LatamPass (Latam)”. “Essas promoções têm acontecido com frequência e você pode potencializar seu acúmulo, conseguindo 50%, 80% e até 100% de milhas extra”, afirma. 

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