Paralisação da indústria do audiovisual pode causar mudanças no setor


Da CNN, em São Paulo
19 de Maio de 2020 às 03:27

A indústria do entretenimento fatura por mês cerca de US$ 8 bilhões nos Estados Unidos, porém com a pandemia o setor foi paralisado, com Nova York sendo um dos maiores reflexos desta nova realidade. A cidade recebia cerca de mil gravações diárias, e antes do fechamento do estado por conta da pandemia, havia 67 produções em andamento na Big Apple. Hoje o número está em zero.

"Impacto no entretenimento ao vivo é brutal, as agências e executivos de estúdio americanos projetam que só retomarão plenamente as atividades em 2022", diz o advogado Fabio Cesnik.

Apesar do cenário preocupante, o histórico da indústria do cinema na primeira metade do século XX pode oferecer um caminho: após o crash de 1929, o Oscar se firmou como a grande premiação do cinema mundial, e após a segunda guerra mundial nasceu o Festival de Cannes.

Quem traz uma visão positiva do momento é o cineasta Fernando Meirelles, que entende que festivais poderiam ser realizados via internet, mantendo a indústria ativa. “Festivais funcionariam muito bem se forem quase 100% online. O cineasta pode lançar online e os espectadores podem comprar um ingresso para ver o filme em sua casa enquanto o júri pode se reunir via zoom”.

Já para o produtor de cinema Rodrigo Teixeira, o momento pode ser usado para lançar filmes e séries já prontos, mas que ainda não foram exibidos ao grande público. “Esses projetos estão em posição favorável porque os canais de televisão e serviços de streaming vão precisar de conteúdo já que o público sempre tem mais interesse por aquilo que é inédito.”

Claquete durante gravação de filme (18.mai.2020)

Claquete durante gravação de filme (18.mai.2020)

Foto: CNN Brasil