'Desastrosa', diz diretor da Apetesp sobre situação dos teatros em São Paulo

Conforme o plano de reabertura anunciada pelo governador João Doria (PSDB), teatros e cinemas ficarão fechados por tempo indeterminado

Da CNN, em São Paulo
28 de maio de 2020 às 16:24 | Atualizado 28 de maio de 2020 às 16:27

Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (28), Atilio Bari, diretor da Associação de Produtores de Espetáculos Teatrais de São Paulo (Apetesp), falou sobre a “retomada consciente” e gradual das atividades em São Paulo anunciada na quarta-feira (27) pelo governador João Doria (PSDB). Segundo Bari, a situação do setor é “desastrosa” e ele tem receio de que alguns teatros sequer conseguirão abrir as portas novamente. 

De acordo com Bari, os teatros estão em situação desastrosa porque já são três meses que não têm receita de bilheteria e os custos continuam correndo, como alugueis, condomínios, impostos e folha de pagamento. A exceção vale para aqueles que são "teatros de bandeira", que têm grandes patrocínios ou estão vinculados a entidades, instituições ou que são públicos.

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Conforme o plano de reabertura para São Paulo, a indústria e a construção civil seguem funcionando normalmente nos 645 municípios do estado. A interdição total de espaços públicos, teatros, cinemas e eventos que geram aglomerações – festas, shows e campeonatos – permanece por tempo indeterminado. 

Também na entrevista, Doreni Caramori, presidente da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), disse que o impacto da crise do novo coronavírus na indústria de eventos é “nefasto”.

Para Caramori, é preocupante o setor estar parado por tanto tempo, mas a incerteza e as condições de retomada são mais alarmantes.

“As medidas emergenciais são fundamentais, sejam aquelas que atendem o produtor ou o artista individualmente, ou os espaços. Mas só vamos conseguir saldar o endividamento gerado nesse período se a atividade tiver perspectiva de retomada”, afirmou.

Na terça-feira (26), a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei da deputada Benedita da Silva (PT-RJ) que amplia para artistas e demais trabalhadores do setor cultural o auxílio emergencial de R$ 600. De acordo com o texto, os beneficiados receberão três parcelas a partir da data que a matéria for sancionada.