HBO Max retira ‘E o Vento Levou’ do catálogo por falta de 'contexto histórico'

Decisão surge em meio aos diversos protestos nos Estados Unidos e no mundo contra o racismo

Frank Pallotta, da CNN
10 de junho de 2020 às 12:54
'E o vento levou', de 1939, conta a história de amor de Scarlett O'Hara e Rhett Butler durante a Guerra de Secessão nos EUA
Foto: Selznick International Pictures

A HBO Max, plataforma de streaming da WarnerMedia, retirou o filme E o Vento Levou de seu catálogo. A decisão surge em meio aos diversos protestos nos Estados Unidos e no mundo desencadeados pela morte de George Floyd, homem negro desarmado que foi morto por um policial durante uma abordagem.

A obra de 1939, que conta a história de amor de Scarlett O'Hara e Rhett Butler durante a Guerra de Secessão nos EUA, é considerada por muitas pessoas um clássico do cinema e um dos filmes mais populares já feitos. Contudo, ele também é incrivelmente controverso. O retrato feito no longa-metragem sobre a escravidão, os afro-americanos e o conflito no país tem sido cada vez mais criticado.

Um porta-voz da HBO Max disse que E o Vento Levou é “um produto de seu tempo e retrata alguns preconceitos étnicos e raciais que, infelizmente, eram comuns na sociedade norte-americana”.

“Essas representações racistas eram erradas antes e são erradas hoje, e sentimos que manter o filme [na plataforma] sem explicação e uma denúncia daquelas representações seria irresponsável”, afirmou o porta-voz.

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Ele ressaltou que quando a obra retornar ao catálogo da HBO Max, “voltará com uma discussão sobre seu contexto histórico e uma denúncia daquelas mesmas representações”. Além disso, será apresentada “como foi originalmente criada, porque fazer de outra forma seria o mesmo que afirmar que esses preconceitos nunca existiram”.

“Se formos criar um futuro mais justo, igualitário e inclusivo, precisamos primeiro reconhecer e entender a nossa história”, disse o porta-voz.

A decisão da companhia também ocorre depois que John Ridley, roteirista do filme 12 Anos de Escravidão — com o qual ele ganhou um Oscar —, escreveu um artigo para o jornal Los Angeles Times nesta semana pedindo que a HBO Max retirasse E o Vento Levou do seu catálogo.

“É um filme que glorifica o Sul antes da guerra. É um filme que, quando não está ignorando os horrores da escravidão, perpetua alguns dos estereótipos mais dolorosos das pessoas de cor”, escreveu Ridley. “O filme tinha os melhores talentos de Hollywood na época trabalhando juntos para sentimentalizar uma história que nunca aconteceu.”

O roteirista deixou claro que não quer que E o Vento Levou seja “relegado a um cofre em Burbank”, na Califórnia, mas que é melhor ele ser retirado de circulação por um “respeitoso tempo”.

“Deixe-me esclarecer: não acredito em censura”, escreveu Ridley. “Apenas peço, depois que passar um respeitoso tempo, que o filme volte à plataforma da HBO Max junto a outros filmes que fornecem um retrato mais amplo e completo do que realmente foi a escravidão e a Confederação” (aliança política entre escravistas).

Ridley afirmou também que o filme “pode ser combinado com diálogos sobre narrativas e discussões sobre a importância de ter tantas vozes compartilhando histórias de diferentes perspectivas, em vez de meramente aquelas que reforçam os pontos de vista da cultura predominante”.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês.)