Como uma avó nigeriana conseguiu participar do novo disco da Beyoncé


Aisha Salaudeen, da CNN
06 de agosto de 2020 às 13:57
Mojisola Odegbami apareceu na faixa “Bigger”, no papel de uma rainha africana

Mojisola Odegbami apareceu na faixa “Bigger”, no papel de uma rainha africana

Foto: Mojisola Odegbami

Mojisola Odegbami não imaginou que uma viagem aos Estados Unidos daria a ela um papel no álbum visual de uma das cantoras mais populares do mundo: Beyoncé.

A avó nigeriana de 59 anos apareceu em dois videoclipes do disco Black is king, que estreou na plataforma Disney+ (ainda inexistente no Brasil) na última sexta-feira (31).

A obra se baseia no álbum da trilha sonora do filme O Rei Leão (2019) – The Lion King: The Gift, criado em 2019 para o remake do clássico.

Assista e leia também:
Beyoncé lança álbum visual 'Black is King' que celebra cultura negra
Beyoncé lança música 'Black Parade' em celebração ao dia da liberdade

Ao falar sobre o lançamento do disco, Beyoncé disse que o objetivo do projeto é mostrar que “negro é magnificente e rico na história, em intenção e linhagem”. Diversos artistas africanos, incluindo a nigeriana Yemi Alade, o ganês Shatta Wale e o camaronês Salatiel apareceram ao longo dos quase 90 minutos do filme musical.

Odegbami apareceu na faixa “Bigger”, no papel de uma rainha africana, e na "Mood 4 Eva", na qual ela vestiu um traje africano, incluindo um gele, peça que envolve a cabeça e é muito usada no sul e oeste da África.

Ela contou à CNN que sua jornada para ser escolhida começou com uma viagem médica à Califórnia em julho de 2019, onde ela conheceu o jovem ator Folajomi "FJ" Akinmurele. “Eu estava hospedada na casa da amiga da minha filha e essa amiga dela tem um filho de 7 anos de idade. O filho, FJ, é o personagem principal em Black is king, explicou Odegbami.

“Toda vez que ele precisava ensaiar, eu era a pessoa que o levava até lá porque a mãe dele precisava ir trabalhar. Foi quando a equipe da Beyoncé pôde me conhecer como a avó Moji”, afirmou ela.

Participação em Black is king

Inicialmente, o grupo da cantora conheceu Odegbami, mas ela não foi convidada para participar do álbum, até que a amiga da filha teve a ideia de inscrevê-la na agência de talentos responsável por escolher os personagens para o álbum.

Mojisola Odegbami afirmou que se sente feliz por poder representar a Nigéria

Mojisola Odegbami afirmou que se sente feliz por poder representar a Nigéria em "Black is king"

Foto: Mojisola Odegbami

“Eu estava fazendo compras um dia e ela me chamou, e pediu para eu ir para casa imediatamente. Fiquei assustada. Ela disse ‘vó, é muito importante, preciso que você volte para casa agora’”, contou.

Quando Odegbami chegou, a amiga da filha falou sobre a inscrição na agência. “Foi quando eu me vi a caminho de Los Angeles naquele mesmo dia para participar do álbum. No começo, eu não queria ir, mas ela continuou implorando, então concordei.”

Após uma viagem de carro de duas horas até o set de filmagem de Black is king, Odegbami foi conduzida pela equipe da Beyoncé e recebeu instruções. Fez um teste para um papel com cenas engraçadas, como receber um bebê, segurá-lo e fazer uma marca na testa dele. 

“Eu estava me divertindo, sabe. Tudo estava indo bem, atuando nas partes que pediram”, afirmou Odegbami. Depois disso, ela contou que tudo aconteceu muito rápido. Disseram que ela estaria no disco e conheceria Beyoncé.

Conhecendo Beyoncé

Câmeras e celulares não eram permitidos no set, então Odegbami não tirou fotos dela com a cantora que já ganhou o Grammy. A nigeriana também teve que assinar um acordo de confidencialidade, impedindo-a de revelar detalhes da gravação do filme ao público antes do lançamento oficial.

“Eles me vestiram, me maquiaram e me arrumaram. Depois, me mostraram onde ficar no set esperando pela Beyoncé”, contou. A equipe conseguiu adivinhar o tamanho de roupa dela graças a fotos e vídeos que a amiga da filha enviou.

Representando a Nigéria

Odegbami disse que conhecer Beyoncé foi uma experiência maravilhosa. Todos no set, segundo ela, foram receptivos e legais.

“Antes daquele dia, eu sabia que existia uma cantora chamada Beyoncé, mas eu nunca tinha visto. Meus filhos são fãs dela. Na verdade, minha mais nova é chamada de Beyoncé da nossa família. Os irmãos dela a chamam assim.” Odegbami afirmou que agora também é fã da artista.

A nigeriana, que vive em Abeokuta, sul do país, disse à CNN que ela se sente feliz por poder representar a Nigéria em Black is king. Foi uma oportunidade de mostrar a cultura nigeriana através de sua aparência, afirmou.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês.)