Paulo Gustavo fez de filme sobre união homoafetiva recorde de arrecadação

Mais autobiográfica das produções de Paulo Gustavo, filme 'Minha Mãe É Uma Peça 3' traz mensagem contra a LGBTfobia

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
04 de maio de 2021 às 23:34 | Atualizado 04 de maio de 2021 às 23:56
Paulo Gustavo
Foto: Downtown Filmes/Divulgação

A China havia acabado de identificar o surgimento da Covid-19 quando “Minha Mãe É Uma Peça 3”, produzido e protagonizado por Paulo Gustavo, estreou nos cinemas brasileiros, em 26 de dezembro de 2019. Mesmo com pouco tempo para atrair as atenções do público brasileiro, com o fechamento dos cinemas poucos meses depois, o longa se tornou o filme com a maior arrecadação desde a retomada do cinema nacional.

Segundo a distribuidora Downtown Filmes, o filme arrecadou mais de R$ 182 milhões e levou 11,5 milhões de pessoas aos cinemas. O feito de Paulo Gustavo, que morreu vítima da Covid-19 nesta terça-feira (4), ganha proporções ainda maiores quando se considera que a trama gira em torno de uma união homoafetiva, tema que ainda é tabu em grandes produções.

O terceiro filme da saga é o mais autobiográfico de uma sequência que tem muito da vida de Paulo Gustavo. A protagonista Dona Hermínia é abertamente inspirada em Déa Lúcia, mãe do ator e diretor. O amor e acolhimento de Hermínia para com o filho, Juliano (Rodrigo Pandolfo), dialoga diretamente com a relação de Déa Lúcia e Paulo Gustavo.

Em uma cena de uma viagem da protagonista aos Estados Unidos, o marido de Paulo Gustavo, o dermatologista Thales Bretas, faz uma participação especial. Empurrando pela rua os filhos Gael e Romeu, Thales se encontra com Dona Hermínia e é elogiado pela personagem que na vida real é sua sogra.

Casamento Minha Mãe é Uma Peça 3
Casamento Minha Mãe é Uma Peça 3
Foto: Reprodução

Beijo

Na época da estreia do filme, Paulo Gustavo foi criticado por revelar que o longa não teria uma cena de beijo entre Juliano e o noivo. 

Em publicação nas redes sociais, o ator e diretor se defendeu na ocasião. Afirmou que a cena era inspirada em seu casamento, mas que o foco do filme era o orgulho que Hermínia sentia do filho. 

"Esse momento do casamento trata de uma coisa maior: o orgulho que essa mãe sente ao ver o filho seguir o caminho do amor e casando com quem ele ama! Sendo quem ele quer ser!", escreveu.