#CNNPop

Ana Maria Gonçalves toma posse e é 1ª mulher negra a ocupar cadeira na ABL

Autora de "Um defeito de cor" tomou posse da cadeira 33 deixada por Evanildo Bechara, que morreu em maio deste ano

Felipe Carvalho, da CNN Brasil
Ana Maria Gonçalves é a primeira mulher negra a entrar para a Academia Brasileira de Letras  • Dani Paiva/Divulgação ABL
Compartilhar matéria

Ana Maria Gonçalves, 55, tomou posse da cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL) nesta sexta-feira (7), substituindo Evanildo Bechara, que morreu em maio deste ano. A escritora foi a primeira mulher negra a ocupar esta posição dentro da instituição, durante uma cerimônia realizada no Petit Trianon, na sede da ABL, no Centro do Rio de Janeiro.

A autora de "Um defeito de cor" é a acadêmica mais nova já eleita e também a 13ª mulher a entra para a ABL, por 30 dos 31 votos possíveis.

Ana Maria recebeu o colar de Ana Maria Machado e o diploma de Gilberto Gil. A comissão de entrada foi formada por Rosiska Darcy de Oliveira, Fernanda Montenegro e Miriam Leitão. Na plateia, a autora recebeu o apoio dos pais e de outros parentes.

Ao final da cerimônia de posse, foi servido um jantar sentado para 300 pessoas no pátio externo, com um cardápio africano.

Quem é Ana Maria Gonçalves?

Ana Maria Gonçalves nasceu em Ibiá, em Minas Gerais, em 1970. É sócia-fundadora da terreiro Produções. Largou a publicidade, onde trabalhou durante 15 anos, para escrever “Ao lado e à margem do que sentes por mim” e Um defeito de cor”, ganhador do prêmio Casa de Las Americas (Cuba, 2007) e eleito um dos principais livros para se entender o Brasil.

Já publicou contos em Portugal, Itália e nos Estados Unidos, onde morou por oito anos e ministrou cursos e palestras sobre questões raciais.

Foi escritora residente nas Universidades de Tulane (New Orleans), Stanford (California), e Middlebur (Vermont).

É roteirista, dramaturga e professora de escrita criativa. Começou a escrever contos e poemas desde a adolescência, sem chegar a publicar. A paixão pela leitura nasceu durante a infância, e desde criança lia jornais, revistas e livros.

“Um defeito de cor”, de 952 páginas, foi publicado em 2006 e levou cinco anos para ser concluído (dois anos de pesquisa, um de escrita e dois de reescrita). Ele narra a trajetória de Kehinde, uma mulher negra sequestrada no Reino do Daomé e escravizada na Bahia, inspirada na história de Luiza Mahin, mãe do advogado abolicionista Luis Gama.

O livro foi enredo da Escola de Samba Portela em 2024.

Acompanhe Entretenimento nas Redes Sociais